Com seu rosto expressivo, anguloso, às vezes nada simpático, Willem Dafoe acabou se tornando um nome único no cinema mundial. Nunca faz o papel do ‘cara comum’, o que mora na casa ao lado.

Em vez disso, já assumiu personagens tão complexos quanto cômicos, que vão dos trágicos sargento Elias de Platoon (1986), longa de Oliver Stoner que o lançou ao estrelato, o próprio Jesus em A Última Tentação de Cristo (1988, de Martin Scorsese) e até mesmo o perturbado terapeuta de Anticristo (2009, de Lars von Trier), passando pelo Bobby Peru de Coração Selvagem (1990, de David Lynch) e o pop Duende Verde de Homem Aranha (2002, de Sam Raimi).

“Há as pessoas com quem a gente se identifica e quer dizer ‘este cara sou eu’. Mas há outros personagens que desafiam o ‘sou eu’. Acho que os dois tipos de papel são lindamente interessantes e de alguma forma nos elevam. É sempre interessante ir para um lugar além”, declarou o ator em entrevista ao TelaTela esta semana em São Paulo, por onde passou para o lançamento de Meu Amigo Hindu, novo filme de Hector Babenco.

Na trama, Dafoe vive Diego, alter-ego nada óbvio, e muito menos comum, do próprio diretor, um cineasta famoso que, ao se ver diante de uma doença grave, enfrenta a morte. Dividem a cena com ele atores como Maria Fernanda Cândido, Bárbara Paz, Guilherme Weber, Selton Mello e Reynaldo Gianecchini, entre outros.

“Não é uma narrativa linear, nem um filme autobiográfico, mas é o que eu quis contar do que vivi. Os fatos existiram e eu os conto de uma outra maneira. Esta história eu conto da única forma que sei contar, que é fazendo um filme, em que não necessariamente é tudo real”, explicou Babenco, que enfrentou, e venceu, um câncer linfático descoberto em 1992 (que o levou a fazer um transplante de medula óssea em 1994).

“Acho que ele nem pensou em mim quando estava escrevendo. Mas a gente se encontrou em um momento em que ele estava pronto para encontrar seu Diego e eu vi no roteiro uma oportunidade linda para mim”, comentou Dafoe, que leu o roteiro quando passou por São Paulo em 2014, quando esteve em cartaz com o espetáculo A Velha, de Bob Wilson, em que contracenou com Mikhail Baryshnikov.

Sempre afeito aos papeis que o desafiam, mesmo que se revelem arriscados, o ator viu em Diego a chance de falar de temas pelos quais nunca passou, mas que sempre rondam sua mente. “Não tenho uma grande história de doença para contar, mas este é um medo que existe nas nossas vidas. Então, tratar disso mesmo que em uma ficção é interessante para mim, pois me permite confrontar certos temas e pensar em algumas coisas.”

TV X Cinema – E é no cinema, mais do que nunca, que Dafoe se diz confortável, e ao mesmo tempo, incomodado, o suficiente para ir sempre além. “Fala-se muito, especialmente nos Estados Unidos, sobre o quão incrível a televisão é. Há algo sobre a poesia e o risco de se fazer um filme e lançá-lo no mundo, e sobre a possibilidade de uma pessoa usar uma equipe para fazer um filme pessoal que pode nos desafiar mais do que a TV pode”, observou o ator.

No entanto, ele não fecha as portas. “Nunca diga nunca. Não quero soar snobe porque eu não conheço muito bem a TV. Mas o pouco que vejo não me converteu ainda. Meu gosto sempre tende aos filmes. Mas se for a coisa certa e me der a oportunidade de explorar algo que não posso explorar nos filmes, eu farei. Por ora, ainda não encontrei esta oportunidade”, contou ele, que acredita que há um espaço para o cinema adulto no mercado.

"Quem me conhece sabe exatamente o que acho. E os que não me conhecem não precisam saber em quem eu voto", disse o ator sobre as próximas eleições americanas
“Quem me conhece sabe o que acho. E os que não me conhecem não precisam saber em quem voto”, disse o ator sobre as eleições americanas

Voto secreto – Ainda sobre temas que nascem nos Estados Unidos e reverberam no mundo, o ator foi questionado pelo TelaTela sobre sua visão da atual corrida à presidência norte-americana. “Não gosto muito quando alguém é politizado e expressa sua posição por meio do trabalho. Acho que é sempre complicado. Não estou interessado em usar minha posição para por uma câmera na minha cara e expressar algo sobre este tema. Sou um pouco tímido em relação a isso’, respondeu o ator, nascido no Wiscosin.

“O que tenho a dizer é bastante evidente. A gente tem de ver como as coisas vão se desenrolar. Para mim, expressar uma opinião realmente espelha quem eu sou e não é necessário que eu tome uma posição neste momento. Quem me conhece sabe exatamente o que eu acho. E os que não me conhecem não precisam saber em quem eu voto. Adoro falar sobre política, mas vou ser um bom garoto e me disciplinar para não dizer o que eu quero e manter minha boca fechada!”, concluiu.

Sobre Meu Amigo Hindu, sua relação com Babenco, com o elenco brasileiro, São Paulo, o cinema e a TV, Dafoe falou mais ao TelaTela:

É uma pergunta muito simples, mas importante. Para você, sobre o que é Meu Amigo Hindu?

Sempre tenho dificuldade de responder sobre o que um filme é. Mas este é claramente uma história inspirada no que aconteceu com o Hector (Babenco) e conta a história de um homem que fica doente e basicamente perde tudo e morre. E então ele ganha a oportunidade de viver novamente. E aí é quando a parte difícil da história começa.

Não é tanto sobre a luta contra a doença, mas sobre a de descobrir como viver novamente. E ele tem que refletir e se reconciliar com a forma como levou sua vida e como deve seguir adiante, tendo esta oportunidade. Este filme tem muito do amor de um homem pela vida, pela experiência de ter sobrevivido a uma doença e também seu amor ao cinema. Esta são as premissas básicas. E, além disso, dependendo de da experiência de quem o vê, vai ter diferentes significados.

Na vida de Babenco, e na sua também, vida e cinema caminham juntas.

Sim. Uma das coisas sobre a qual o filme fala logo no início é a importância de se contar histórias, de se compartilhá-las. Para mim, isso implica também no ato de conversar com as pessoas. E o cinema é uma ótima forma de conectar com o público e também imaginar coisas lindas que às vezes a gente não consegue imaginar sozinho. Além disso, nos traz mudanças na forma de pensar, nos hábitos. E nos coloca em um lugar criativo em vez de apenas o de observar, o que nos faz com que gostemos ainda mais de um filme. Um bom filme nos eleva.

Você sente esta responsabilidade como ator?

A gente sente responsabilidade só pelo fato de tentar não ser um tolo. Isso porque o lugar que o ator ocupa na sociedade é muito engraçado. A gente sente uma responsabilidade pessoal pelo que faz, mas ao mesmo tempo temos de deixar isso para lá de certa forma. Porque atores têm de ser irresponsáveis. Uma vez que a gente se entrega a uma história, a gente não está pensando em termos de carreira, se é um bom filme ou não, porque o estamos fazendo ou não.

A gente está, na verdade, entregando-se a uma série de desafios, de problemas a serem solucionados, a novas formas de pensar e sentir. Então, sim, a gente sente a responsabilidade também, pois não queremos fazer algo feio, estúpido ou inútil. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ter medo que isso aconteça porque se a gente é muito cuidadoso na vida a nunca vai se arriscar o suficiente. E temos de nos arriscar o tempo todo.

E aí, cuidadoso demais, começa a ter medo de jogar.

Sim. Ficamos com medo e começamos a querer ser guiados só pelo que sabemos. Mas se guiar pelo que não sabemos não é típico da humanidade. Porque o ser humano gosta de conforto, confirmação, estar em um ambiente conhecido. A parte boa de ser um ator é que as pessoas esperam que a gente vá além desta zona confortável. Faz parte do nosso trabalho. Em uma situação ideal, a gente tem estas oportunidades lindas de nos deixar fluir e fazer algo novo.

Hector Babenco dirige Dafoe em uma das cenas rodadas no hospital Sírio-Libanês em SP
Hector Babenco dirige Dafoe em uma das cenas rodadas no hospital Sírio-Libanês em SP

Você disse justamente que nunca quis dirigir porque faz um trabalho melhor deixando-se nas mãos de um diretor. O ofício do ator, em sua essência, muito além de ser uma celebridade, passa por dar voz e corpo a uma história?

Sim. E isso depende muito também de como cada um constrói isso, mas os momentos em que eu me sinto mais livre e mais feliz são os em que eu tenho o tipo de concentração e comprometimento que vão além de mim mesmo. A ironia é que eu me sinto mais íntegro quando me sinto mais isolado. Novamente falando de responsabilidade, como diretor eu me sentiria responsável demais pelo o que as coisas significam. Como ator, eu posso ser um pouco irresponsável e me deixar perder. É trabalho do diretor o de tentar me manter no meu caminho.

Como foi estar nas mãos do Babenco? Porque, de certa forma, vocês dois se escolheram.

É fato. Ele tinha uma ideia para um filme. A gente é amigo há anos. Eu o vi novamente no Brasil depois de muitos anos. E eu perguntei para ele: ‘Qual a boa nova?’ E ele disse: ‘É isso aqui.’ E me entregou o roteiro do filme e perguntou o que eu achava. Eu li e disse: ‘Sim, eu quero fazer.’ Foi simples assim. Ele não escreveu o roteiro para mim, obviamente. Acho que ele nem pensou em mim quando estava escrevendo. Mas a gente se encontrou em um momento em que ele estava pronto para encontrar seu Diego e eu vi no roteiro uma oportunidade linda para mim.

E foi de fato?

Sim. É um papel que exige muito da gente. E fala de coisas que me interessam, sobre as coisas que a gente de fato pensa sobre.

O ator e Maria Fernanda Cândido, que vive Livia, sua mulher na trama
O ator e Maria Fernanda Cândido, que vive Livia, sua mulher na trama, que o acompanha em todo o tratamento contra o câncer nos EUA

Este projeto tem muitos níveis, tem a oportunidade de trabalhar com um diretor como o Babenco, a história transita entre as fronteiras entre sua vida real e a ficção que ele construiu a partir disso. Ao mesmo tempo, você é ele de certa forma. Foi desafiador para você também?

Sim. Às vezes eu perguntava para ele alguma dica sobre certas cenas, porque foi escrita, de onde vinha. Às vezes ele me dava explicações muito específicas e em outras ele apenas dizia: ‘Não sei porque. É inventado. Você é o Diego! Vai!’ Era estranho assim. Mas mesmo antes das filmagens eu pude prever os momentos interessantes do processo, como a minha transformação física, pois perdi quilos, raspei a cabeça, tive de estar em uma cama de hospital…

E isso está em minha imaginação e na de muita gente. Não tenho uma grande história de doença para contar, mas este é um medo que existe nas nossas vidas. Então, tratar disso mesmo que em uma ficção é interessante para mim, pois me permite confrontar certos temas e pensar em algumas coisas, além de viver, ao atuar, alguns processos. E não é exatamente a qualidade dos diálogos que tenho ou sobre como eu me coloco na história que se transforma na qualidade da performance. Mas se de alguma forma consigo me conectar com as cenas e sinto um impulso autêntico nelas, então é o que importa.

Em Meu Amigo Hindu você se conecta a medos importantes, como de morrer, envelhecer, da solidão.

Certamente, pois Diego perde muitas outras coisas. Ele perde seus amigos, ele perde sua vida sexual por um tempo, todas as coisas que constroem sua identidade e seus prazeres.

Ele ganha sua vida de volta, mas a perde também de certa forma.

Isso. É interessante que a parte mais difícil no filme é justamente quando ele é declarado como curado. Ele tem que recomeçar a viver sua vida. Quando você vence uma batalha e chega ao outro lado, o que há lá?

"O filme fala também da importância de se contar histórias", diz o ator, que na cena brinca com o garoto Rio Adlakha
“O filme fala também da importância de se contar histórias”, diz o ator, que na cena acima brinca com o garoto Rio Adlakha

Como foi filmar em São Paulo?

É engraçado mas neste filme São Paulo poderia estar na Lua porque tudo era muito rodado nos interiores. Havia algumas cenas na cidade que eu adorei fazer porque a gente se via no meio da noite em lugares onde não estaria normalmente. Este era um jeito lindo de ver a cidade. E havia também uma outra realidade, a da noite, a da vida nas ruas que em geral muita gente não vê em São Paulo porque está sempre sozinha dentro de um carro.

Para mim, se não se conhece uma cidade bem, não se sente seguro para caminhar por ela. De toda forma não vou dizer que ‘era um homem filmando na lua’ porque em muitos aspectos era São Paulo. Só que filmamos em uma casa e dentro de um hospital. Esta era a maior parte da minha experiência aqui. Havia janelas, claro, mas eu realmente não olhei muito para fora porque estava muito concentrado no que estávamos fazendo.

E como foi trabalhar com o elenco brasileiro?

Atores pertencem todos à mesma raça e nosso trabalho é o mesmo, apesar das diferenças culturais. A trupe do filme estava ali pelo Hector, em um estado de espírito muito generoso. Eles estavam ali para servir ao filme e este é um lugar ótimo para se estar. É difícil em um filme quando as pessoas estão no set por razões muito diferentes. Alguns por questões econômicas, outros pela carreira, outras são realmente apaixonadas e envolvidas, outras que nem são atores mas acabam num filme. Neste caso, era muito uniforme. Eles eram todos profissionais e estavam lá pelo Hector.

E todos com quem falei sobre você estavam realmente agradecidos pela ajuda que você deu a eles. E não somente nas dicas de inglês.

Eles também me ajudaram muito. Mas o que foi estranho neste projeto foi o fato de que na maior parte do tempo tudo era falado em português no set. Depois de um tempo eu comecei a entender algumas palavras, mas eu não falo português. Então, isso me colocou em uma posição engraçada. E de certa forma ajudou na alienação e no isolamento que o personagem sentia. Quando a gente atuava era em inglês, mas havia uma camada que me separava dos outros e que me fez estar mais introspectivo e me sentir sozinho na maior parte do tempo.

Sofia (Bárbara Paz) dança ao som de 'Cantando na Chuva' para Diego (Dafoe). "Hector usou sua história para falar de seu amor pelo cinema."
Sofia (Bárbara Paz) dança ao som de ‘Cantando na Chuva’ para Diego (Dafoe). “Hector usou sua história para falar de seu amor pelo cinema.”

 

É como se você estivesse nu em meio a todos vestidos.

Eu tinha de ser paciente. Eu estava em uma cama de hospital, com todos em volta apressados falando em português, sem saber o que estava acontecendo, grudado a todas aquelas máquinas. Então, a situação real ajudou a minha imaginação, deu elementos à história que às vezes a gente não consegue inventar tanto. Às vezes a gente tem alguma experiência em paralelo ao fazer do filme e isso ajuda muito a ficção. É sempre uma surpresa de onde isso vem. A gente nunca sabe qual é o gatilho que dispara nossa imaginação e que faz com que a gente acredite profundamente em uma história.

Mas, de novo, o fato de tudo em minha volta ser em português me ajudou muito. Em algumas cenas sou como um objeto. As pessoas falam, vão e vem. Em parte da história eu estou praticamente inconsciente. Mas eu ouvia tudo. Era um personagem que sentia algo fisicamente horrível.

Babenco sempre diz que Meu Amigo Hindu não é autobiográfico, mas que ele conta uma história que aconteceu com ele da melhor forma que ele pôde.

Acho que isso representa minha experiência e o que eu tentei fazer disso. Ele estava fazendo um filme repleto de eventos que ocorreram na vida dele. Ele não estava tentando explicar ou ganhar em cima do que aconteceu, mas usou sua história para falar de onde ele está hoje e de seu amor pelo cinema. Este é o filme.

Você acha que o cinema tem mudado muito?

Acho. A linguagem do cinema não tem mudado muito. O que tem mudado é onde o cinema se encaixa na cultura mundial. Acho que isso tem muito a ver com a Era da Informação e como as pessoas veem filmes hoje, com toda esta geração que cresceu jogando videogame. E isso tudo está contaminando os filmes.

Tudo mudou muito, mas ainda há uma geração mais velha que cresceu indo ao cinema e que está farta disso, da ambição em seus trabalhos, e que começou a voltar para o cinema. Há um público maduro, inteligente e faminto por bons filmes. Eu me iludo com a esperança de que vai haver um público para filmes inteligentes e adultos no futuro. E eu não estou falando de pornôs.

Dafoe e sua mulher, Giada Colagrande, em pré-estreia no Festival de Veneza do longa 'A Woman', dirigido por ela, em 2010
Dafoe e sua mulher, a atriz e cineasta Giada Colagrande, em pré-estreia do longa ‘A Woman’, dirigido por ela, no Festival de Veneza em 2010

E a TV?

Fala-se muito, especialmente nos Estados Unidos, sobre o quão incrível a televisão é. Eu prefiro cinema. Há algo sobre a poesia e o risco de se fazer um filme e lançá-lo no mundo, e sobre a possibilidade de uma pessoa usar uma equipe para fazer um filme pessoal que pode nos desafiar mais do que a TV pode. A TV pode fazer muitas coisas, mas lhe falta poesia e uma certa capacidade empurrar a comunicação para frente. Ela está na nossa zona de conforto.

Em questão de assuntos, a gente pode falar de temas difíceis, há um formato mais longo e a gente pode ir mais profundo na TV. Mas, no fim das contas, a TV é parceira com a audiência e dá ao público o que ele quer. Não é ruim, mas falta esta certa irresponsabilidade e mistério. Por questões econômicas, está cada vez mais difícil de encontrar isso também no cinema, mas ainda existe na linguagem cinematográfica e na forma como o cinema é feito. Tenho consciência do fim de uma era, mas talvez o cinema se transforme em algo diferente. Enquanto houver coisas interessantes a se fazer, vou continuar fazendo.

O cinema nos tira da zona de conforto de fato.

É totalmente diferente. Muitos atores gostam da TV hoje porque é o lugar para ficar rico e famoso. Mas eles também gostam porque a televisão tem um formato longo e eles podem ‘sentar com o personagem’ e realmente ir fundo em sua história. Mas acho que a gente sempre devia estar um pouco assustado quando atua. E na TV a gente tem closes, os atores ficam muito charmosos, são muito ágeis em se mostrar. E a gente perde aquele certo horror de se fazer uma cena, filmá-la e não saber como vai ficar no final. Na TV tudo é muito controlado. É uma forma muito inteligente e corporativa de arte.

'Malattie Imbarazzanti' (Doenças Constrangedoras, do britânico Channel 4), um dos programas de TV que o ator gosta de assistir
‘Malattie Imbarazzanti’ (Doenças Constrangedoras, do britânico Channel 4), um dos programas de TV que o ator gosta de assistir

Ainda assim, você faria TV? Já foi convidado?

Não me importaria em fazer se eu não achar trabalho no cinema. Brincadeira. Nunca diga nunca. Não quero soar snobe porque eu não conheço muito bem a TV. Mas o pouco que vejo não me converteu ainda. Meu gosto sempre tende aos filmes. No entanto, meus amigos dizem ‘Não faça’. Mas se for a coisa certa e me der a oportunidade de explorar algo que não posso explorar nos filmes, eu farei. Por ora, ainda não encontrei esta oportunidade.

O que você assiste TV?

Quando tenho tempo, prefiro ler um livro, ver um filme, ouvir música. Mas quando vejo TV, assisto os programas realmente ruins. Não se chama a TV de ‘caixa idiota’ sem motivo. Eu assisto coisas como uma série que vejo em Roma, no canal Real Time, a Malattie Imbarazzanti (Embarrassing Bodies /Doenças Constrangedoras, do britânico Channel 4). É sobre um grupo de médicos que trata pessoas com doenças bastante específicas. E eles em geral eles lidam com isso muito graficamente. É visualmente chocante. Eu gosto de ver quando posso. Minha mulher (Giada Colagrande) sempre diz: ‘Willem, desliga isso!’.

E isso acontece quando eu vejo um outro programa do Canal Italia. Para mim é exótico e gosto de ver as pessoas ganharem vida no palco. É meio como ver o Tony Manero (John Travolta em Os Embalos de Sábado à Noite), um cara que trabalha na loja de ferramentas de dia e de noite vai para a discoteca. Às vezes vai gente com talento, à vezes bonitas, às vezes estilosas…Em geral elas são comuns e vão lá para dublar as músicas, mas sinto que elas estão no céu ali. E há algo lindo nisso. Eu deveria chamar isso de ‘kitsch’ (ou brega) e não quero ser condescendente, mas fico feliz quando vejo o programa.

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