Nossa Opinião

4.0
Em entrevista durante o Festival de Berlim, onde o filme estreou, justificou a escolha por querer fazer uma mistura entre as linguagens dos contos de fadas e da hiper-realidade. Mas o caldo desandou.
Nota 4.0

Um James Franco em momento puramente canastrão é um dos motivos que emperram Tudo Vai Ficar Bem, o novo filme do cineasta alemão Wim Wenders. Franco interpreta o escritor Tomas Elden, que começa o filme isolado em um vilarejo coberto de neve, às voltas com uma crise conjugal.

Sua vida tem um ponto de virada a partir de um acidente no qual atropela uma criança, filho de Kate (Charlotte Gainsbourg). Apesar de trágico, o evento impulsiona a criatividade de Elden, que passa finalmente a ter seus livros publicados e vendendo bem.

Concebido para ser assistido em 3D, o filme abusa de efeitos de profundidade que soam mais como ruído do que agregam sentido de fato a uma história que busca tratar de temas sérios, íntimos.

Wenders foi muito mais bem-sucedido em sua experiência anterior no formato, o tributo à coreógrafa Pina Bausch. Ali sim conseguiu usar o recurso de forma original e em sintonia com o conceito da obra.

Em entrevista durante o Festival de Berlim, onde Tudo Vai Ficar Bem estreou (e não conquistou muitos fãs, diga-se de passagem), justificou a escolha por querer fazer uma mistura entre as linguagens dos contos de fadas e da hiper-realidade. Fica a dúvida se o roteiro sobre um homem extremamente fechado e odiável lidando com o peso da culpa seria o mais apropriado para isso.
Sessões no Festival do Rio:
Sexta, 9/10 – 21h30 | Cine Odeon
Sábado, 10/10 – 14h e 18h30 | Cinepolis Lagoon 5
Domingo, 11/10 – 14h e 19h | Roxy
Terça, 13/10 – 16h15 e 21h15 no Kinoplex São Luiz 2

A impressão é que o caldo desandou e tudo ganhou apenas um ar de artificialidade, sublinhado a cada careta que Franco faz para demonstrar a angústia de seu personagem.

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