Nossa Opinião

8.0
Em seu primeiro longa-metragem, Elie Wajeman sabe usar o entrelaçamento das relações humas para desenvolver a trajetória de seu personagem principal e prender a atenção do público
Nota 8.0

Em 2012, Aliyah passou pelo Festival de Cannes sem fazer muito alarde. Recebeu elogios da crítica ao estrear, no ano seguinte, nos Estados Unidos e demorou mais dois para chegar ao Brasil, ainda assim em circuito dos mais restritos, apenas no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Os atrativos do filme são suficientes para fazer o esforço e procurar a sessão caso você more em uma das cidades onde o filme está em cartaz. Pio Marmaï é o protagonista, Alex, traficante de drogas cansado da vida criminosa parisiense e que vê uma esperança de mudar de vida quando um amigo conta seus planos de abrir um restaurante em Tel Aviv. É um papel difícil, mas o ator, um dos mais interessantes entre os novos talentos franceses (como também pode ser visto na comédia Beijei Uma Garota), defende muito bem, mantendo o personagem entre o frágil e o ameaçador.

Numa das cenas, Alex, revela que quer ir embora porque, em sua cidade, “ninguém pede para ele ficar”. Poderia soar melodramático demais, mas a construção do filme é tão precisa que sustenta a afirmação. Seu irmão mais velho, Isaac (Cédric Kahn), é um estorvo. O pai, que aparece em uma única cena de cortar o coração, lhe é indiferente. Sua antiga namorada está prestes a casar, e quando Jeanne (Adèle Haenel) entra na jogada, pode já ser tarde demais.

Em seu primeiro longa-metragem, o diretor e roteirista Elie Wajeman sabe usar o entrelaçamento destas relações para desenvolver a trajetória de seu personagem principal e prender a atenção do público, que torce pela redenção de Alex mesmo este contando com muito pouco a seu favor. A busca pela segunda chance é, afinal, um dos temas universais.

Wajeman sai-se tão bem em sua estreia que ganhou cacife para contar com dois grandes astros do cinema francês em seu próximo filme, previsto para estrear em seu país de origem no final do ano. Les Anarchistes é um drama de época com Tahar Rahim (Um Profeta e Samba) e Adéle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente). Que demore menos pra chegar aqui.

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