A demanda por programação de alta qualidade disponibilizada em plataformas flexíveis talvez seja a principal exigência de um novo público global de cinema e televisão altamente impactado pelo avanço tecnológico. Entram aqui dois fenômenos importantes: cada vez mais pessoas têm mais aparelhos eletrônicos além da televisão (computadores, tablets, celulares), e torna-se cada vez mais comum o binge watching, hábito de assistir de uma só vez a vários episódios seguidos de um mesmo programa, durante horas. Qual é o serviço que melhor realiza esses dois desejos? O de vídeo sob demanda, como o Netflix. Não é à toa que estejam crescendo.

Segundo um estudo realizado pela PrivewaterhouseCoopers, que há 16 anos avalia o cenário da mídia e do entretenimento em 54 países, os vídeos online vão superar os lucros das salas de cinema norte-americanas já em 2018, tornando-se a principal fonte de renda do mercado nos EUA.

Entre este ano e o de 2019, esses vídeos online, que incluem assinaturas e aluguéis de títulos em serviços como o Netflix ou o Hulu, assim como a HBO Go e programas sob demanda – devem gerar 13,8 bilhões de dólares em 2018, contra 13,1 bilhões da indústria do cinema (bilheterias e publicidade). O crescimento é tamanho que, entre 2014 (8,4 bilhões) e 2019 (16,54 bilhões), a indústria de vídeos online dobrará de valor, num ritmo de crescimento de 14,6% anuais. Já o cinema deve ter ritmo mais modesto, ficando em 3,9% (sobe de 11,2 bilhões para 13,5 bilhões).

estudo4A renda total de home vídeo (ex. DVDs) cairá consideravelmente, dando lugar às plataformas online

Para os responsáveis pela pesquisa, apesar de existirem claras diferenças infraestruturais entre os países avaliados, é nítido que, entre os consumidores que têm acesso a essas tecnologias, os padrões de comportamento globais se tornam cada vez mais padronizados. O que os diferencia são justamente as diferenças de infraestrutura oferecidas e o desejo de conteúdos que sejam relevantes num nível pessoal, o que ressalta a necessidade de prestar atenção às especificidades regionais.

Assim, o foco daqueles que estarão entre esse grupo ascendente será o de criar uma mídia mais flexível, que dê liberdade e seja conveniente para o espectador/usuário. O muro que separa o analógico do digital cairá lentamente.

Aqui, o número de dispositivos conectados está diretamente ligado a este crescimento: as conexões por smartphone devem crescer de 1,92 milhão no ano passado para 3,85 milhões em 2019. Nisso o mercado brasileiro tem boa participação:

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Proliferação dos smartphones vai alterar a percepção do que é conteúdo premium (Brasil é representado pela tarja cinza escuro, que mal aparece em 2014, e cresce consideravelmente em 2019)

Além das claras mudanças no padrão de consumo do público norte-americano e do global, as cifras se explicam também pela expectativa geradas por anúncios recentes de serviços de conteúdo pela internet de que pretendem começar a fazer filmes também – hoje, eles já estão de forma consolidada produzindo séries originais e temporadas de outros programas já cancelados pela TV comum. Um bom exemplo: o Netflix já está produzindo e vai distribuir War Machine, novo filme de Brad Pitt.

E o Brasil nisso?

Dentro da renda total de filmes em todo o mundo, que deve crescer 4,1%, atingindo cerca de 104 bilhões de dólares até 2019, o crescimento brasileiro será fator importante (6,1%). Atrás da China, que vai colaborar com 14,5% e da Argentina (11,5%).

estudo1Líderes globais e mercados emergentes vão impulsionar o crescimento da indústria 

Os três países juntos serão responsáveis por 23% do crescimento global da renda publicitária da televisão. Tanto que, de acordo com as projeções, o Brasil será o terceiro maior mercado do mundo, seguido da China e da Índia. 
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 Lucros dos vídeos online vão praticamente dobrar até 2019

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