Nossa Opinião

6.0
O filme fica no meio do caminho, ao deixar de lado sentimentos mais profundos para se perder numa série de sequências cheias de efeitos exagerados em sua montagem
Nota 6.0

À princípio, Um Reencontro tinha potencial para ser uma comédia romântica e dramática madura sobre a tentação do adultério tomando conta de um dedicado marido, que não consegue resistir aos encantos de uma bela escritora.

Porém, o filme da diretora Lisa Azuelos fica no meio do caminho, ao deixar de lado sentimentos mais profundos para se perder numa série de sequências cheias de efeitos exagerados em sua montagem, que não necessariamente conversam entre si.

Os recursos se aproveitam de momentos em que os personagens estão imaginando situações e têm efeito desigual. Alguns são bem sacados – como a aura de néon que circunda os personagens nas primeiras cenas -, outros parecem meros floreios. Ora uma câmera lenta na chuva, ora um split screen, ora a porta de armário que, quando aberta, pula direto para uma casa noturna. Além disso, o abuso causa exaustão, e a partir de certo momento eles deixam de ser impactantes quando entram em cena.

A impressão é que se está assistindo a uma colagem de propagandas, sensação reforçada pela trilha sonora, muitas delas com músicas que a gente ouve toda hora em comerciais. “Happy Together” e “For Once in My Life”, duas músicas presentes no filme, foram usadas recentemente em campanhas brasileiras das marcas Ford e Vivo, respectivamente, para ficar em dois exemplos.

É realmente uma pena que ‘Um Reencontro‘ não consiga ir além. Os dois protagonistas são vividos por uma dupla com ótima química, formada por François Cluzet (de ‘Os Intocáveis‘) e Sophie Marceau (um bastião do cinema francês, que já foi até Bond Girl em ‘007 – O Mundo Não é o Bastante‘). Se por alguns momentos conseguimos embarcar na proposta, o crédito deve-se a seu entrosamento, que fica por um triz de salvar o filme. Mas aí aparece o final “surpresa”, previsível desde a metade. Pior que isso: soa pretensamente ousado quando, no fundo, é apenas seguro e até moralista.

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