Cinema

Telas Fórum aponta rumos do audiovisual em tempos de crise

Por Fernanda Lomba

O brasileiro gosta de se ver em cena e anseia por uma boa história. Esse foi um dos principais temas debatidos na 17ª edição do Telas Fórum, evento ocorrido em São Paulo com profissionais da área para discutir o cenário de produção audiovisual brasileira além de rodadas de negócios. Diversos assuntos foram contemplados: produção, coprodução, documentários, universo digital, impacto econômico do setor, entre outros.

O público, já alimentado de referências, é quem dá as cartas na recepção do conteúdo veiculado, um dado reforçado por pesquisas. Uma rica amostragem desse perfil é o crescente sucesso dos YouTubers, diversos canais que dialogam com o público e são presença cada vez mais assimilada pelo mercado.

Nada disso se sustenta sem uma boa história. Para Zico Góes (Fox), isso parte de gosto e envolvimento no projeto, pois esse processo impacta na produção, no produto final. A dica de ouro é aliar o planejamento e assertividade que o mercado exige, sem perder a paixão de se contar algo, um grande e honesto ‘causo’ – imaginativo ou real – que toque o espectador.

A brasilidade é a linha-mestra das narrativas e sustenta os conteúdos – vale lembrar que muitos canais internacionais em operação no Brasil, atentos a este perfil do brasileiro, dublam seus conteúdos internacionais.

Num cenário marcado por incertezas, fica mais flagrante o fato de o audiovisual ser uma indústria de risco. Como tal, uma postura pró-ativa dos realizadores, a criatividade e a paixão pelo que se faz são atitudes mais que bem-vindas.

É preciso, contudo, pensar criticamente a crise política e econômica que marcam também o audiovisual, seja do ponto de vista dos cortes de verbas públicas, seja na criação de modelos de negócios sustentáveis.

Dados apresentados por Paulo Roberto Schimidt dão conta dessas questões.  Uma pesquisa, iniciativa de realização da Apro e Sebrae elaborada pela Fundação Dom Cabral, investigou o setor em um olhar amplo, destacando a presença do Audiovisual na Economia brasileira: a receita das empresas do setor soma cerca de R$ 42,7 bilhões de reais, valores finais de 2015. É o porte industrial impresso na produção audiovisual brasileira.

No cerne da discussão, Lucas Foster, idealizador do Prêmio Brasil Criativo destacou a importância de democratização das informações e acessos aos recursos incentivados. Uma demanda que deve, de fato, provocar mudanças em um futuro breve pois, muito diferente do exemplo da TV aberta, o Audiovisual reúne inúmeras produtoras com distintos perfis na atuação.

Precisamente 7.312 produtoras inscritas e regulares, sendo que os estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentram 61% das produtoras do país. 56,7% das produtoras são classificadas como independentes, e 66% têm acima de cinco anos de operação.

*Fernanda Lomba é produtora-executiva na Encouraçado Filmes.

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