O Menino e o Mundo, do paulista Alê Abreu, foi indicando na quinta-feira, ao Oscar de melhor longa de animação. Vencedor do Festival de Annecy 2014, considerado o mais importante do gênero do mundo, um ‘Cannes da Animação’, O Menino e o Mundo acabou sendo deixado de lado na lista dos finalistas ao Oscar em 2015 e voltou com força este ano.

Surpreso, Alê Abreu declarou ao TelaTela, pouco depois do anúncios dos finalistas ao prêmio da Academia, que ainda “estava um pouco tonto” com a notícia. O criador, que disse que não esperava estar na lista de finalistas, afirmou:

“Nosso filme nasceu como um grito sincero, de liberdade, de amor, um grito político, latino-americano. Mas sobretudo um grito contra o sufoco que a grande indústria cria aos potenciais artísticos, poéticos, e de linguagem da animação. E acho que este grito ecoou onde precisava ecoar.”

Abreu concorre agora à estatueta com nomes fortes como Divertida Mente, Anomalisa, Shaum, o Carneiro e Quando Estou com Marnie. Divertida Mente levou também uma indicação a melhor roteiro original, deve levar o prêmio.

Contudo, a indicação de O Menino e o Mundo dá força não só ao cinema de animação brasileiro, que se desenvolveu muito nos últimos anos, mas também à animação autoral, que combina traços artesanais (Abreu usou desde técnicas a lápis a aquarela em papel, passando por trechos documentais) até os já tradicionais programas de computador, que atualmente são maioria quando se fala em filmes animados em longa-metragem.

Muito por isso, Abreu também declarou: “Um momento importante, onde filmes de animação mais autorais concorrem ao prêmio maior da indústria de cinema. Como disse o New York Times, somos o Outside In! Black Horse, segundo o IndieWire! Somos a zebra do ano, com o maior orgulho de ser zebra, e vamos lutar até o final para trazer o careca dourado para o Brasil! Vitória! Airgela! Viva a animação brasileira!”

Em O Menino e o Mundo, um garoto parte de sua pequena aldeia em busca de seu pai, que deixou a família para se aventurar por caminhos não muito coloridos.

Seguindo o som da flauta tocada pelo pai, o menino se depara com um universo vertiginoso e, ao mesmo tempo, muito real, em que questões como as condições precárias de trabalho no campo e a exploração da mão de obra operária nas fábricas das grandes cidades se contrapõem a imagens poéticas e líricas.

“A história surgiu naturalmente. Eu estava pequisando material para um outro projeto, o Canto Latino, uma animação documental que trata da formação política e social da América Latina. Um certo dia, descobri em um dos meus cadernos de anotações, o rabisco de um menino que me encantou pelo forma como ele tinha sido desenhado, em que o rigor se somava à liberdade dos traços”, comentou o diretor.

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