Nossa Opinião

5.0
O que se passa na cabeça do protagonista, retratado em algumas ocasionais narrações em off, é sempre mais inspirado do que qualquer ação que envolva seus comparsas.
Nota 5.0

Na comédia francesa ‘Sobre Amigos, Amor e Vinho‘, de Eric Lavaine, Lambert Wilson faz Antoine, homem de 50 anos que, após ter um infarto, decide viver sem culpas. Ele larga o trabalho, passa a comer quantas batatas fritas puder – e ai de quem tentar roubá-las -, e fala algumas verdades que permaneciam engasgadas para o grupo de amigos de longa data.

Numa viagem com o grupo a uma casa de campo para uma temporada de férias, fica evidente que este Antoine pós-UTI acha todos desinteressantes. A ironia é que o filme se esquece que, se o público também pensar assim, isso pode não ser uma boa estratégia. O que se passa na cabeça do protagonista, retratado em algumas ocasionais narrações em off, é sempre mais inspirado do que qualquer ação que envolva seus comparsas.

O personagem vai se entediando com aquela vida de aparências, cheia de discussões no melhor estilo “classe média sofre”. O trajeto indicado pelo GPS é ou não de fato o mais rápido? Como assim vamos usar aquele vinho que estávamos guardando para fazer uma sangria?

É claro que há um estranho no ninho, “coincidentemente” o mais humilde entre eles, Jean-Mich (Jérôme Commandeur). Mecânico de confiança e ligado à turma desde a adolescência de forma nunca explicada de maneira convincente, no fundo ele está lá, com seu olhar abobalhado e predileção por dizer a coisa errada na hora errada, apenas para servir de escada aos personagens burgueses. Ou, quem sabe, despertar algum tipo de piedade. Nada de novo.

Ficamos pacientemente esperando o momento em que Antoine coloque um “c’est fini” naquilo tudo. Mas a decepção é que isso demora muito a acontecer e, quando vem, passa como um mero lapso. No final, fica a sensação de que o filme roda em falso, e se contenta em manter seus personagens o tempo inteiro em terreno seguro.

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