Depois de Woody Allen afirmar que não é muito afeito a competições, logo após a primeira sessão (que dividiu opiniões da imprensa) de seu novo filme, Café Society, em Cannes 2016, foi a vez do júri do festival dizer a que veio e conversar sobre seus critérios para escolher os melhores filmes da mais prestigiosa mostra competitiva de cinema do mundo.

De fato a tarefa dos nove jurados não será fácil. A edição deste ano conta com novos filmes de diretores tarimbados como Pedro Almodóvar, que nunca levou uma Palma de Ouro e chega este ano com o aguardado Julieta (que já estreou em clima morno na Espanha), o inglês Ken Loach, o canadense Xavier Dolan, Jim Jarmusch, entre outros.

“Todos têm uma opinião. Sei que este grupo ama cinema, são apaixonados e não sabemos o que todos sentem sobre os filmes. E todos têm suas personalidades diferentes. Esta é também a parte da mística de Cannes”, comentou o presidente do júri, o australiano George Miller, de Mad Max. “Não somos políticos, criando um grupo focado. Estamos discutindo cinema. E vai haver uma discussão forte em torno dos prêmios que vamos dar. Mas a gente vai estar sendo um pouco tolo se começarmos desde já a discutir sobre isso”, completou o diretor.

Em sua equipe, Miller conta com um grupo variado e forte, formado por nomes como Kirsten Dunst (de As Virgens Suicidas, Na Estrada e premiada no Festival por Melancolia), Vanessa Paradis, Arnauld Deplechin, Mads Mikkelsen, László Nemes (cineasta premiado por ‘Filho de Saul‘), Katayoon Shahabi e Donald Sutherland.

Dunst completou que, apesar de ser difícil estabelecer uma competição entre obras de arte, como filmes podem ser, “se não fosse por festivais como Cannes, talvez nós não estivéssemos aqui e muitos dos filmes não teriam sido vistos. Estaríamos todos filmando apenas blockbusters.”

Quando questionado sobre a ausência de filmes australianos na competição deste ano, Miller ressaltou que, como festival internacional, Cannes tem cinema de lugares diferentes do mundo. “O cinema australiano se tornou relevante por meio dos festivais. A única oportunidade que se tinha de ver filmes diferentes era nos festivais de cinema. E o cinema australiano se tornou um híbrido entre o cinema europeu e o americano”, afirmou George Miller.

Sobre a questão da relevância de ainda se ‘rotular’ filmes de acordo com suas nacionalidades, Miller declarou: “O nosso cinema (australiano) não é tão distante do cinema americano e nem do inglês, mas sempre há um cinema nacional, de alguma forma. É interessante observar de onde os filmes selecionados para o festival neste ano vêm. Dizem muito sobre comportamento humano.”

O húngaro Lászlo Nemes, que com seu longa de estreia, O Filho de Saul, levou o Prêmio do Júri em Cannes 2015 e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro 2016, comentou que o fato de se correr riscos ao fazer filmes devia ter sua recompensa. “Estou muito impressionado por todos os profissionais com os quais divido a tarefa de ser júri. Quero dar um sentido ao fato de estar aqui. Vamos ver o que acontece!”

Donald Sutherland, o mais velho dos jurados, com 80 anos, astro de clássicos como Mash e de blockbusters como a franquia Jogos Vorazes, ao ser questionado sobre se sabe o que faz de um filme elegível para levar a Palma de Ouro, apenas respondeu, bem humorado (e reclamando do ar condicionado): “Não. Mas posso te garantir que estou congelando neste lugar.”

As sessões de gala dos filmes em competição no festival começam na quinta-feira, com a exibição do romeno Sieranevada, de Cristi Puiu, que tem sessão nesta quarta à noite para a imprensa.

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