Dizem que o Oscar de melhor atriz deveria se chamar Prêmio Meryl Streep. Afinal, ninguém tem mais indicações do que ela, e dificilmente alguém irá lhe superar no futuro. Este ano, Meryl chegou à vigésima indicação da carreira, por Florence: Quem é Essa Mulher?. É a décima sexta como atriz principal, categoria que ganhou duas vezes (por A Escolha de Sofia e A Dama de Ferro). Entre as coadjuvantes, foram mais quatro nomeações e um troféu, seu primeiro, por Kramer vs. Kramer, em 1980.

Meryl, porém, não é a atriz que mais tem Oscars em casa. O recorde pertence a Katharine Hepburn, laureada quatro vezes (em doze indicações, todas como principal) por Manhã de Glória (1933), Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967), O Leão no Inverno (1968) e Num Lago Dourado (1981). O amor da Academia por Katharine estava longe de ser correspondido: em nenhuma das vezes que foi premiada, ela estava presente na cerimônia para receber a estatueta. “Prêmios não são nada para mim. Meu prêmio é meu trabalho”, costumava dizer.

De fato, ícones absolutos de Hollywood como Marilyn Monroe e Rita Hayworth nunca foram sequer nomeadas ao Oscar, mas são até hoje duas atrizes eternizadas no imaginário popular da cultura pop.

O desprezo que Katherine Hepburn tinha por prêmios como este parece ter ficado no passado. Hoje, estúdios e estrelas de cinema bolam estratégias mirabolantes para garantir um carimbo de vencedora do Oscar, optando por atalhos que beiram o absurdo.

Assim, ano passado Alicia Vikander foi eleita a melhor atriz coadjuvante, por A Garota Dinamarquesa, mesmo tendo até mais falas que seu colega Eddie Redmayne, indicado na categoria de ator principal. A situação se repete em 2017, com Viola Davis sendo deslocada da categoria de atriz principal para a de coadjuvante, mesmo dividindo o protagonismo de Um Limite Entre Nós com Denzel Washington.

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