Difundir filmes que provoquem reflexões e debates sobre os direitos humanos sempre foi o objetivo do Entretodos, mostra que chega à oitava edição este ano. Para servir como ferramenta de formação de educadores e aproximar o cinema da população, o festival de curtas terá sessões em 78 pontos de exibição, como CEUs, escolas municipais, cineclubes, praças e parques, sempre com entrada gratuita.

“O cinema facilita a entrada de qualquer assunto nas discussões. Não é verbal, tem apreensões diretas que não dependem do nível de educação ou de interesse da pessoa pelo tema. É som, imagem, cor, movimento e ritmo. Acessa outros canais, de identificação, prazer, dor, sofrimento. Ele cria uma comunicação interessante”, conta Manuela Sobral, que assina a curadoria com Jorge Grinspum. Não é por acaso que o eixo desta edição seja “Cidade Educadora”.

Na programação deste ano, chama a atenção a presença de mais filmes realizados por ou sobre mulheres. Segundo Manuela, o número de realizadoras cresceu proporcionalmente ao número de pessoas fazendo filmes no geral. Conforme os equipamentos se tornaram mais acessíveis, mais pessoas começaram a contar suas histórias, mesmo com pouco dinheiro, com qualidade. “Mas não acho que o número de mulheres tenha aumentado o quanto deveria. Na mostra competitiva, temos quase 30 filmes e apenas seis diretoras. É bem menos do que a metade”, pondera.

Entretodos - Festival de Curtas de Direitos Humanos

Quando: De 5 a 9 de outubro
Onde:
76 pontos da cidade, como CEUs, Escolas Municipais, CCSP, CineOlido, Matilha Cultural, entre outros
Quanto:
Grátis
Informações:
www.entretodos.com.br

Debates em torno de temas como o aborto estão em curtas como A Boneca e o Silêncio, selecionado pelo TelaTela como um dos destaques da programação. “Fiquei impressionada com os filmes que entram nessa questão, que é algo tão silenciado nos países da América do Sul. Temos dois curtas de mulheres superjovens, contemporâneas, que entram sem medo num assunto atualíssimo que é o aborto”, conta.

“Outro assunto interessante é o da homossexualidade feminina, que aparece pela primeira vez no festival. Todos os anos temos filmes sobre a homossexualidade masculina, mas nunca recebemos algo que não viesse muito fetichizado, por exemplo”. Em Arianas, duas meninas são estupradas por garotos que acham a relação das duas um fetiche. Em Chanson D’Amour, que pode ser visto no site do festival, a protagonista sofre humilhações, assédio e tentativas de “cura gay” por um pastor por ser lésbica.

Aparece também de forma interessante o tema da mãe solteira e suas múltiplas funções, de garantir o desenvolvimento e a educação dos filhos ao mesmo tempo em que precisa manter o lar. “Na Alemanha existe licença maternidade e bolsa ‘mãe solteira’. É a única forma de garantir que uma mãe vai poder cuidar da educação da sua criança e auxiliar na relação com a rua e com os outros. Isso seria uma economia por outro lado, para o estado e para a sociedade, pois reduziria com certeza a criminalidade infanto-juvenil.”

Os filmes serão exidos dentro dos grupos abaixo. Confira horários e locais da programação.

Diversidades:
“SUBMARINO” (dir, Rafael Aidar),
“OUCH” (dir. Fred Joyeux),
“ARIANAS” (dir. Hylnara Anny Vidal Oliveira),
“SAFE SPACE” (Espaço Protegido) – (dir. Zora Rux),
“THE GIRL AND HER TAIL” (A garota e sua calda) – (dir. Yong Jie Yu Yong),
“LE TEMPS D’UM TANGO” (O tempo de um tango) – (dir. Frédéric Hontschoote)

Distâncias:
“DORSAL” – (dir. Carlos Segundo e Cristiano Barbosa),
“E O AMOR FOI SE TORNANDO CADA DIA MAIS DISTANTE” (dir. Alexsander de Moraes),
“A BONECA E O SILÊNCIO” (dir. Carol Rodrigues),
“MORE THAN TWO HOURS” (Mais de duas horas) (dir. Ali Asgari)

Olhares:
“TONY” (dir. Benoit Bouthors),
“BEATITUDE” (dir. Délio Freire),
“DISRUPTION” (Rupturas) – (dir. Felipe Frozza e Ulrike Flämig),
“DEJÃ VU” (dir. Bruno Autran),
“JOSÉ BEZERRA” (dir. Pedro Medeiros),
“O FIM É O COMEÇO” (dir. Agner Rebouças, Bruno Pere, Rodrigo EBA!, OTA e Thiago Vaz ),
“SECTORES” (Setores) – (dir. Luciana Rojo)

Dualidades:
“PAIXÃO NACIONAL” (dir. Jandir Santin),
“MANCHA DE SANGUE NO PORCELANATO” (dir. Fernanda Sales Rocha),
“MICROPHONE” (dir. Kareem Ghafur Ghafur),
“I STAY” (Eu fico) – (dir. Oleksandr Soldatov),
“UM DIA” – dir: Ângelo Defanti)

Extremos:
“ENQUANTO O SANGUE COLORIA A NOITE, EU OLHAVA AS ESTRELAS” (dir.Felipe Arrojo Poroger),
“COLONIA PENAL” (dir. Marco Escrivão),
“MENINO DO DENTE DE OURO” (dir. Rodrigo Sena),
“MC DON’T” (MC Não) – (dir. Louis Mota),
“MARIUS” (dir. Pierre-Julien Fieux),
“FACING OFF” (Mudando de cara) – (dir: Maria Di Razza)

Mostra Infanto-Juvenil
AS AVENTURAS DE MINUANO KID
RHODES LEARNS FROM THE THINGS / O aprendizado de Rhodes
EL ULTIMO DINO / (O último dinossauro)
BTEKTINE DRZEWO/ (A árvore azul)
MAISHA
THINK TWICE/ (Pense duas vezes)
RETIRANTES
LA VALSE MÉCANIQUE/ (A valsa mecânica)
UTO
BRILHA BRILHA ESTRELINHA
THE GIRL AND HER TAIL (a garota e sua cauda)
MARIUS
PAIXÃO NACIONAL
O FIM É O COMEÇO
FACING OFF / (Encarando)
MICROPHONE
TROCA DE PASSES

O festival é realizado em parceria com as secretarias municipais de Cultura, de Direitos Humanos e Cidadania e de Educação.

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