selomostra39De passagem pela Mostra para apresentar seu segundo longa-metragem ficcional, A Ovelha Negra, vencedor do prêmio principal da seção Um Certo Olhar de Cannes, o diretor islandês Grímur Hákonarson contou que em seu país há mais ovelhas do que gente. São cerca de oitocentos mil animais para trezentas e vinte mil pessoas. Por lá, na remota ilha do território nórdico, são elas que têm o status de melhor amigo do homem.

Para homenagear este traço marcante da cultura, resolveu contar a história de dois irmãos que, apesar de serem também vizinhos, não se falam há quarenta anos. Ambos se dedicam à criação de ovelhas e carneiros, e cuidam tão bem de seus rebanhos que são premiados por isso.

Há uma relação natural de disputa entre os dois, agravada quando Gummi (Sigurður Sigurjónsson), o expressivo protagonista, descobre que um dos bichos do irmão está contaminado com uma doença letal e contagiosa. O único jeito para evitar que a epidemia se alastre seria sacrificar todos os rebanhos da região.

Com muita habilidade, Hákonarson, que iniciou a carreira fazendo documentários, constrói este drama minimalista, que ganha ares de suspense a partir de um segredo que Gummi passa a esconder.

O humor também se faz presente, principalmente na relação entre os dois irmãos rabujentos, que resistem ao contato e criam formas alternativas de comunicação, como os bilhetes trocados por intermédio do cachorro de estimação.

É um filme simples, como convém à realidade um país pequeno, que lança de quatro a seis longas por ano, mas extremamente caloroso, apesar da paisagem gelada, e bem executado em sua proposta.

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Nossa Opinião

8.0
Com muita habilidade, o diretor, que iniciou a carreira fazendo documentários, constrói este drama minimalista, que ganha ares de suspense a partir de um segredo que o protagonista passa a esconder.
Nota 8.0