O Amor É Estranho

O diretor Ira Sachs, que já havia sido premiado em Berlim pelo igualmente emocionante Deixe a Luz Acesa, volta a retratar um relação homoafetiva nesta coprodução franco-americana com John Lithgow e Alfred Molina. Os dois interpretam um casal já de meia-idade que leva uma vida de certos luxos em Nova York e, enfim, oficializam a união de tantos anos. Mal termina a cerimônia, um deles perde o emprego por preconceito e, sem dinheiro, precisam desfazer-se da vida que tinham até então e, agora oficialmente casados, morar em casa separadas, com amigos e parentes.

Para além da triste ironia que o roteiro apresenta, o longa coloca o casal no centro de um drama familiar bastante verdadeiro, retratando as dores humanas de dois homens que contém mas não se limitam à orientação sexual.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

O sensível longa de Daniel Ribeiro estreou na Mostra Panorama, no Festival de Berlim. A vida de Leo, um garoto cego cuja vida muda quando ele conhece Gabriel. Pouco a pouco, os dois se aproximam e experimentam os dilemas típicos da adolescência e da descoberta da sexualidade.

Como bem definiu Matheus Pichonelli: “ao tirar do centro das atenções a orientação sexual do personagem, e transformá-la em um evento paralelo em sua caminhada para o mundo adulto, o diretor consegue traçar o desenho de uma juventude bonita, possível e sem juízo final, como as ‘diversas harmonias’ da música de Caetano Veloso.”

Pride

Este vencedor da Queer Palm, prêmio independente dado a filmes com temática LGBT inscritos no Festival de Cannes, também foi indicado ao Globo de Ouro. A simpática história acontece durante a greve dos mineiros, que pararam suas atividades no Reino Unido entre 1984 e 1985. Para ajudar as famílias, um grupo de ativistas LGBT começou a arrecadar dinheiro já que, no longa, o líder diz que são o único grupo mais mal representado por uma mídia homofóbica do que os gays.

A ajuda não é bem recebida logo de cara, mas logo as comunidades criam laços. Apesar da mensagem de solidariedade, nem todos tenham entenderam: depois de receber uma classificação indicativa bastante alta em seu país de origem, algumas versões do DVD lançada nos Estados Unidos tiraram todas as menções à causa LGBT da capa. Assim, “grupo de ativistas gays e lésbicas” virou, apenas, “grupo de ativistas”.

Meninos Não Choram

Quando Hilary Swank venceu o Oscar de melhor atriz por interpretar Brandon Teena (nascido Teena Brandon), alguns ativistas norte-americanos viram ali uma forma de jogar luz sobre a transfobia que acabaria custando a vida do Brandon da vida real.

No filme, ele se muda para uma pequena cidade do Nebraska e se enturma com os rapazes da sua turma até começar a namorar uma das garotas locais. Sofre, porém, para revelar seu segredo a ela. Quando os amigos descobrem, acaba vítima de um crime de ódio.

Azul É a Cor Mais Quente

O filme de Abdellatif Kechiche tornou-se a sensação de 2013 após vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Tamanha foi a polêmica em que se envolveu depois, que o realizador declarou mais de uma vez que preferiria nunca ter rodado a história.

O longa, inspirada no romance gráfico Le Bleu est une Couleur Chaude, de Julie Maroh, é protagonizado por uma jovem adolescende de 15 anos que se vê perdidamente apaixonada por Emma, a garota de cabelos azuis. Juntas, as duas precisam superar os desafios propostos pelo próprio amadurecimento.

Praia do Futuro

Quem fosse a uma das salas da Cinépolis para assistir este filme estrelado por Wagner Moura em 2014, entraria na sala com um curioso carimbo no bilhete: a palavra “avisado”, sinal de que a pessoa havia sido alertada para a existência de cenas de sexo homoafetivo na história.

Moura dava vida a Donato, um salva-vidas que se apaixona por um alemão depois de salvá-lo de um afogamento e com ele parte para Berlim. Já adolescente, o irmão caçula segue também para o país estrangeiro em busca dele.

Tudo Sobre minha Mãe

No clima único de Pedro Almodóvar, a Espanha é palco de uma tragédia familiar quando uma mãe, cujo filho morre atropelado por correr atrás de uma atriz famosa, vai atrás do pai da criança, a quem ela nunca foi apresentada. Ao encontrá-lo, descobre que ele, uma prostituta transgênera, está morrendo de AIDS, mas contaminou e engravidou outra mulher.

A dedicatória do diretor resume sua mensagem: “A todas as atrizes que já interpretaram atrizes. A todas as mulheres que atuam. Aos homens que atuam e se tornam mulheres. A todas as pessoas que querem ser mães. À minha mãe.”

Milk – A Voz da Igualdade

Harvey Milk foi o primeiro homossexual declarado a ser eleito membro da Câmara de Supervisores de São Francisco, e é essa trajetória que é contada por Gus Van Sant no longa de 2008.

A princípio, Milk mudou-se nos anos 1970 com o namorado para abrir uma loja de fotografia apenas para encontrar resistência local. Sua luta contra a homofobia impulsionaria sua carreira política. Este longa também sofreria preconceito depois de pronto: evangélico, o dublador brasileiro que normalmente daria voz a Sean Penn recusou-se a fazer o trabalho.

Direito de Amar

O diretor Tom Ford faz um belo trabalho ao colocar em questão crises mais humanas do personagem principal, vivido por Colin Firth, que se relacionam mas não se restringem ao fato de ele ser gay. Num universo de crise política em 1962, ele é um professor universitário que começa a ter pensamentos suicidas depois de seu parceiro de vida morrer em um acidente.

Suas dores e dúvidas encontram eco na de sua amiga Charley, vivida por Julianne Moore, que passa por drama semelhante.

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