‘O Pequeno Príncipe’ é dos casos de clássicos que não rendem só centenas de edições em dezenas de idiomas, mas também filmes, séries, brinquedos e até joias e chocolates. Diante de tamanha popularização da história escrita pelo francês Antoine de Saint-Exupéry em 1943, como ainda propor algo novo ao se criar um longa-metragem de animação para o cinema inspirado na história do aviador que, ao ter de fazer um pouso forçado no deserto do Saara, conhece um garotinho muito especial, que precisa muito voltar para seu planeta e para sua rosa?

Este foi o desafio do animador americano Mark Osborne (de ‘Kung Fu Panda‘ e Bob Esponja), responsável por ‘O Pequeno Príncipe’, longa que fez sua première mundial no Festival de Cannes em maio e teve sua primeira sessão aberta ao público na sexta, 17, em São Paulo como parte da programação do 23o Anima Mundi. A estreia em circuito comercial já está marcada para 20 de agosto.

Em vez de filmar novamente a história do livro, Osborne optou por criar a trama em que uma garotinha que vive apenas com a mãe e passa os dias de férias sozinha, estudando, conhece um velhinho simpático que mora na casa ao lado. Ele mostra a ela seu livro, em que conta justamente sua história, de como conheceu o Pequeno Príncipe. “Não é a história do livro, mas sim como ele toca as pessoas que eu queria contar no filme. Como ele afeta a vida das pessoas, como é poderoso. A vida da menina muda ao conhecer o aviador, já velhinho, e o Príncipe. Isso é mais importante. Eu queria que o livro fosse o coração do filme e o usei como âncora da história.”, contou o diretor, que estará presente à sessão desta sexta.

“O livro é muito precioso. Faz parte da minha vida, pois o li quando já tinha 20 anos e minha namorada me deu de presente quando fui estudar na Califórnia e ela ficou em Nova York. Todos estes anos depois, ainda estamos juntos e hoje nossos dois filhos fazem parte desta história. Aliás, a risada do Pequeno Príncipe no filme é a risada do meu filho Mark”, completou Osborne.

O diretor Mark Osborne e os dubladores Larissa Manoela e Marcos Caruso
O diretor Mark Osborne e os dubladores Larissa Manoela e Marcos Caruso

Para chegar a esta carga emocional, o diretor também contou com o trabalho dos atores que deram voz aos personagens.  O elenco, na versão original, conta com a dublagem de Jeff Bridges, James Franco, Marion Cotillard e Benicio Del Toro. Na versão brasileira, foi a jovem atriz Larissa Manoela (de ‘Carrossel‘) e Marcos Caruso quem criaram as vozes da dupla principal do longa.

Caruso, que já é avô de dois meninos, contou que pensou em seus netos quando dublou o Aviador. “Eu tenho uma relação forte com o livro. Li há 50 anos e sempre esperei o momento de dá-lo para os meus netos, mas o filme chegou antes. Eles já viram o filme e vão ter na cabeça a voz do aviador como a voz do avô. Isso me torna mais responsável ainda. Através dos meus netos estou falando com todas as crianças do meu País. Eu traduziria de uma maneira como é traduzido no filme que é que a gente tem de ver com o coração, é que a gente tem de dublar com o coração”, comentou o ator, que nunca havia feito dublagem.

“A responsabilidade é imensa, na medida em que a gente dá voz a um personagem de um livro no qual, cada pessoa quando o lê, imagina uma voz. Quando a gente sai do abstrato e vai para o contrato, a responsabilidade é muito grande. Foi um processo difícil no início. Sou do tipo de ator que gosta do erro, da dispersão, para, então, chegar na essência do personagem. No teatro isso é possível. Na TV menos, mas também consigo fazer pois já entenderam que funciono assim. Já em um estúdio de dublagem, tudo tem hora, tudo é cronometrado. Sem contar que a gente não dubla com os outros atores, mas sozinhos, na cabine, lendo as falas. Eu nem tinha visto o filme ainda, nem lido o roteiro. É um grande desafio dar a emoção certa a um personagem, mas fiquei contente com o resultado”, explicou o ator.

Osborne concorda e aprova o trabalho dos atores brasileiros. “Eu não falo português, mas senti, ao ver o filme na versão brasileira, que o trabalho foi incrível. A emoção está em cada cena. É legal ver a plateia reagir bem às emoções do filme, mesmo sendo dublado. E isso não é fácil de se alcançar”, observou o diretor, sempre acompanhado do boneco de pano da raposa que criou para o filme. “Criei há mais de cinco anos, quando estava preparando a apresentação que iria fazer do roteiro para a família de Saint-Exupéry, na França. Eles precisavam acreditar na história, se encantar com ela e aprovar a ideia. Deu certo! E a raposa estava comigo naquele momento. E continua sempre”, brincou o diretor.

 

 

Comentários

comentários