Nossa Opinião

4.0
Troque o boxeador por Liam Neeson e os ringues pelas ruas de alguma metrópole do hemisfério norte e teríamos mais um genérico de 'Busca Implacável'
Nota 4.0

Não demora nem cinco minutos para todos os problemas de Nocaute saltarem aos olhos. Enquanto Jake Gyllenhaal faz cara de mau e desce a mão em seu adversário, diante de uma plateia frenética, os narradores da luta soltam um trocadilho atrás do outro com o sobrenome do personagem, Billy Hope (Esperança).

É a representação mais preguiçosa da metáfora que o filme tenta insistentemente fazer: a esperança apanha, balança, mas sempre dá um jeito de ressurgir. Só não dizem que é a última que morre pois tal ditado não é comum na língua inglesa.

Se Touro Indomável, de Scorsese, o longa definitivo sobre boxe, abria com uma longa sequência do pugilista Jake LaMotta (Robert De Niro) solitário, dando socos no ar, com um trilha de música clássica ao fundo, o caminho aqui é oposto. O esporte que já foi chamado de “a nobre arte”, vira em Nocaute um simples acerto de contas.

Troque o boxeador por Liam Neeson e os ringues pelas ruas de alguma metrópole do hemisfério norte e teríamos mais um genérico de Busca Implacável. E o que dizer da esposa, interpretada por Rachel McAdams, sempre em trajes sumários, decotes ou de quatro? Um exemplo clássico de como as mulheres são mal retratadas em filmes do tipo.

Para fazer o protagonista, Gyllenhaal encarou a protocolar rotina de exercícios e dietas durante sua preparação. Ganhou músculos, virou um “ogro”, como diz em bom português a inquilina brasileira do apartamento que Hope aluga à certa altura. Houve até uma expectativa de que ganhasse a indicação que faltou no último Oscar, pela atuação assombrosa em O Abutre.

Seu esforço é desperdiçado, em meio ao roteiro sentimentalóide que chega ao absurdo nas cenas em que encontra a filha e ela soletra para ele palavras que expressam sua decepção. Sutil como um golpe de UFC.

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