Quando Nabil Bonduki assumiu a Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo, anunciou que olharia com atenção para o cinema. A concretização da primeira leva de 30 filmes com o selo SP Cine, muitos deles prontos para chegar às salas de exibição ainda em 2015 e 2016, é uma mostra de que o projeto não ficou só no papel.

Para garantir que estes filmes estejam disponíveis ao público, a SP Cine promete entregar nos próximos meses 20 salas em bairros populares, que terão sessões a preço popular. Além disso, está em pauta facilitar as filmagens de produções na cidade, de acordo com o secretário, “para poder fazer com que São Paulo seja um cenário natural do cinema”.

Após a entrevista coletiva na sede da Prefeitura que anunciou os contemplados nas primeiras linhas do programa, Bonduki falou ao TelaTela.

TelaTela – Como o circuito da SP Cine se relaciona com a rede já existente? Será uma concorrente ou uma alternativa?

Nabil Bonduki – De maneira nenhuma é uma concorrência. Na verdade, nós estamos chegando onde as redes privadas não chegam. São locais da cidade onde não existem salas de cinema, e nós acreditamos que não vai haver concorrência. Talvez até o contrário: criar salas de cinema em locais que não têm sala poderá fazer com que mais pessoas fiquem apaixonadas pelo cinema e possam a partir daí frequentar inclusive outras salas do circuito comercial. Eu não vejo como concorrência, eu acho que uma rede é uma rede, quando ela cresce é como uma cadeia. Um setor alimenta o outro e com isso nós vamos ter mais possibilidades de ver cinema, e principalmente o cinema brasileiro em São Paulo.

Lembrando que não é só o cinema paulista, ou o cinema brasileiro, que não tem tela. Muitos cinemas, de muitos lugares do mundo não têm telas em São Paulo. Vamos lembrar que no período da Mostra Internacional de Cinema temos muitos e muitos filmes de muitos lugares que só passam ali na Mostra, e são filmes muito bons, muito interessantes, que não entram no circuito comercial. Então na verdade esse circuito de salas de cinema da Prefeitura será, sem dúvida nenhuma, um impulso importante para toda a produção mais independente do mundo todo poder se apresentar na cidade de São Paulo.

Esse circuito de salas de cinema da Prefeitura será, sem dúvida nenhuma, um impulso importante para toda a produção mais independente do mundo todo poder se apresentar na cidade de São Paulo”
As salas da SP Cine vão estar abertas também para essas produções internacionais?

Vão. Elas vão ter uma produção variada, a ideia não é que ela só vai ter filme brasileiro, ou só “filme-cabeça”, filmes autorais, porque nós precisamos também formar público. E às vezes a gente forma público garantindo que ele possa ter acesso a outros tipos de filmes que até são mais fáceis de deglutir.

A ideia é que a gente tenha a SP Cine junto com um bom programador, privado, que poderá se associar à prefeitura, para que a gente possa fazer um programação variada. Que tenha cinema brasileiro, tenha cinema independente, e possa ter até algumas produções de Hollywood, que são aquelas que vão permitir que uma população, que hoje não consegue pagar o preço de um shopping, de repente possa ter acesso num cinema da Prefeitura.

A SP Cine pretende também fazer mais oficinas e workshops em Ceus e Centros Culturais? Como a Prefeitura vê estas iniciativas?

Nós temos várias iniciativas da Prefeitura voltadas à oficinas de criação, com participação da população. Com certeza o audiovisual é uma das linguagens, além das oficinas de teatro, de música, dança, as mais diferentes manifestações culturais. O audiovisual, com a SP Cine, vai ganhar mais espaço dentro dessa possibilidades.

Nós estamos num processo também de implantar um Laboratório de Audiovisual, o LEIA (Laboratório de Experimentação e Inovação Audiovisual), em que nós vamos poder desenvolver pequenas empresas, startups e empresas audiovisuais, gerando uma ampliação da economia criativa na cidade e um conjunto maior de pessoas capacitadas para participar do audiovisual, porque com a abertura do espaço em tela nas TVs pagas nós temos hoje uma grande demanda por audiovisual, e nem sempre existe pessoal capacitado para poder trabalhar.

Iluminadores, maquiadores, cenógrafos, uma enorme quantidade de pessoal que é necessário para as produções de audiovisual poderá se formar nessas oficinais e nesses espaços de formação.

Como esse projeto de facilitar as filmagens em São Paulo irá funcionar na prática e a partir de quando a gente vai poder ver mais filmes serem rodados no espaço público da cidade?

Nós já temos um setor dentro da Secretaria, mas ele precisa ser reestruturado para que ele possa efetivamente cumprir o papel de agilizar e tornar fácil a filmagem na cidade de São Paulo.

Isso terá que ser feito também num trabalho articulado com outras secretarias municipais, em especial com a CET (Companhia de Engenharia de Trafégo) e com as subprefeituras e também com a Secretaria de Serviços que são secretarias que têm que atuar para interromper o trânsito, para autorizar as filmagens, para garantir uma infra-estrutura necessária, por exemplo, de energia elétrica, pra poder filmar no espaço público. Mas é um esforço que neste segundo semestre nós vamos agilizar para poder fazer com que São Paulo seja um cenário natural do cinema.

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