Nossa Opinião

7.0
Canções tão consagradas poderia valer como fórmula fácil para criar identificação, mas do jeito que estão só distraem
Média 7.0

Não há muito risco investido na escolha de músicas de David Bowie, Radiohead ou Strokes para uma trilha sonora. Aos primeiros acordes, a ligação emocional com um certo público está feita, e a cena pode naturalmente caminhar para qualquer desfecho que amarre tudo e dê sentido à história.

Todos os três artistas e outros igualmente conhecidos estão em episódios de Vizinhos, série nacional exibida pelo GNT. E que desperdício. Em vez de caminharem juntos, ação e trilha quase brigam pela atenção do espectador, gerando mais distrações do que agregando significados. Qualquer potencial do texto precisa competir com a música, e vice-versa.

Em resumo, a série trata da relação entre um casal maduro e os jovens de uma república, que pula o muro em busca das respostas existenciais por que anseia cada geração. Assim como os protagonistas, em crise de meia idade, buscam aprender a dialogar e a agir como suas contrapartes pós-adolescentes, os episódios parecem se esforçar demais para aparentar jovialidade.

Junto de tentativas de experimentação visual, como cortes rápidos e colagens de fotos em sequência, acaba se aproximando mais da linguagem publicitária de comerciais de empresas de telefonia.

O uso de canções tão consagradas para toda uma geração poderia valer como fórmula fácil para criar identificação, aproveitando laços que já existem com a música para novas histórias. Mas o que fica é uma impressão de serem usadas como atalho para apressar a criação de algum tipo de emoção que a cena não teria tempo de atingir.

Prejudica e muito as bem intencionadas tentativas da direção de Luiz Villaça (3 Teresas) de reger os excessos um elenco jovem, ainda em fase de amadurecimento, sem destoar das belas nuances da entrosada atuação dos veteranos Marcelo Airoldi e Bianca Byington.

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