Para alguns, um necessário escapismo em um ano marcado pela desesperança. Para outros, um mero exercício auto referente. Nenhum outro filme do Oscar 2017 polariza tantas opiniões como o principal favorito à maioria dos prêmios, La La Land: Cantando Estações.

O musical de Damien Chazelle é uma homenagem a musicais clássicos como Cantando na Chuva e Os Guarda-Chuvas do Amor, mas passado nos dias de hoje. Esta contemporaneidade, porém, está soterrada pela direção de arte vintage, pela trilha sonora calcada em jazz tradicional e pela suposta mensagem de sua história, vendida no pôster brasileiro, por exemplo, com o slogan: “Para os sonhadores que acreditam no amor. Para os apaixonados que acreditam nos sonhos”.

Mas que amor é esse, entre o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) e a aspirante a atriz Mia (Emma Stone)? Em artigo no site do jornal britânico The Guardian, o escritor David Cox acerta num ponto nevrálgico. Para ele, La La Land é “o conto de dois narcisistas que sacrificam o amor por interesse próprio”.

Indicações ao Oscar

Filme, diretor (Damien Chazelle), ator (Ryan Gosling), atriz (Emma Stone), roteiro original, fotografia, edição, trilha sonora, canção original (“City of Stars”), canção original (“Audition”), figurino, direção de arte, edição de som e mixagem de som.

A partir de agora, será necessário refletir sobre o desfecho da trama, portanto teremos spoilers.

De acordo com Cox, Sebastian e Mia “se juntam quando suas carreiras estão em declínio, e passam o tempo dividindo observações. Depois de um servir de mentor ao outro no caminho do avanço pessoal, eles se dispensam como foguetes sendo lançados aos espaço”.

Talvez seja este, mais do que o iPhone que aparece em cena ocasionalmente, o principal traço de modernidade do filme. Por mais que Gosling e Stone se esforcem em fazer o público acreditar no seu amor, a verdade é que ele dura apenas até a primeira dificuldade aparecer. Nenhum deles tenta propor uma solução para que ambos continuem juntos, mesmo com agendas conflitantes – ele agora está em turnê com uma banda pop, ela irá gravar um longa-metragem em Paris. Melhor não perder a chance de estabelecer uma carreira, porque vai lá saber quando outra oportunidade irá aparecer…

Mesmo na sequência final, quando Sebastian e Mia se reencontram meio por acaso e parecem refletir sobre como a vida poderia ser caso continuassem a relação, os rumos não se sugerem muito diferentes do que aquilo que acabou acontecendo. Ou seja, eles ainda fariam diferença um ao outro?

La La Land pode ter sido projetado como uma declaração apaixonada por Hollywood e pelas Artes, o que sempre dá certo entre os votantes da Academia. Mas seu coração é amargamente cínico.

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