CinemaOscar 2016

Falta de favoritos absolutos pode animar cerimônia do Oscar

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Ao contrário da maioria de suas edições recentes, não há um favorito destacado entre os oito indicados este ano na principal categoria do Oscar. Num ano em que a indústria cinematográfica de Hollywood comemorou lucros históricos (US$ 11 bilhões em bilheteria, só nos EUA e Canadá), anabolizados pelo retorno de franquias como Star Wars, Os Vingadores, Jurassic Park e Velozes e Furiosos, a Academia parece ter feito um esforço para agradar a quase todo tipo de público.

Na categoria principal, há dois blockbusters: Mad Max: Estrada da Fúria (que conseguiu dez indicações no total) e Perdido em Marte (sete indicações). O prestígio de Steven Spielberg também foi suficiente para colocar no bolo seu Ponte dos Espiões, que teve recepção discreta, concorrendo em seis categorias, incluindo melhor filme.

Do outro lado do espectro, duas produções independentes e intimistas, o britânico Brooklyn (três indicações), sobre uma jovem imigrante irlandesa que chega a Nova York nos anos 50, e O Quarto de Jack (quatro indicações), que narra a dramática história de uma mãe e seu filho, mantidos em cativeiro. No caso de ambos, estar entre os oito já é o prêmio que vai garantir aos filmes um aumento exponencial de visibilidade.

No meio do caminho estão A Grande Aposta (cinco indicações) e Spotlight (seis indicações), longas que apostam num elenco de atores conhecidos dividindo o protagonismo, e relembram fatos recentes importantes da sociedade norte-americana. O primeiro é uma visão inteligentemente bem-humorada da crise financeira de 2008, enquanto o segundo acompanha o grupo de jornalistas que, em 2002, revelou o escândalo de pedofilia e abusos sexuais da Igreja Católica em Boston.

O Oscar não passa de um programa de TV

Ser um cinéfilo aguerrido ou profundo especialista em aspectos técnicos envolvidos na feitura de um filme nunca foi pré-requisito para atrair público para a frente da televisão numa madrugada de segunda-feira com um desfile de celebridades. Isso porque, mais do que uma premiação da indústria norte-americana, boa parte do público médio encara o Oscar como um programa de televisão com o elenco mais atraente do mundo.

Já se somavam algumas edições sendo alvo de pesadas críticas por parte de público pela previsibilidade de seus vencedores e o excesso de formalidades engessadas ao longo da cerimônia. O sucesso sem precedentes do selfie de Ellen DeGeneres na edição de 2014 é uma prova de que pensar a entrega dos prêmios como um programa de entretenimento é talvez a melhor forma de manter o interesse e agregar novos públicos. Especialmente diante da necessidade de manter bons índices de audiência e garantir a venda de gordas cotas de publicidade e patrocínio.

Se Chris Rock conseguirá segurar uma cerimônia multimidiática e dinâmica tão bem quanto Ellen, ou se terá um desempenho pífio calcado em boas intenções como Neil Patrick Harris no ano passado, é difícil prever. Mas é um péssimo sinal que os clamores de 2015 por mais diversidade, reunidos sob o #oscarsowhite já tenham sido peremptoriamente ignorados.

Resta apostar as fichas na ausência de candidatos favoritíssimos e esperar que isso crie alguma expectativa em torno dos vencedores, por mais que nenhum filme até agora tenha despertado grandes paixões isoladamente.

(Clarice Cardoso)


O Regresso completa a lista dos concorrentes a melhor filme. É também o campeão do ano em número de indicações, com doze, e acaba de ganhar o Globo de Ouro de melhor drama, o que normalmente poderia lhe dar a dianteira da corrida. Porém, vale lembrar que seu diretor, o mexicano Alejandro G. Iñarritu, é o mesmo de Birdman, e é altamente improvável que a Academia premie seguidamente dois filmes do mesmo diretor.

Mesmo a estatueta de melhor ator que parece destinada a Leonardo DiCaprio, o herói de O Regresso, não pode ser ainda dada como certa, dado o histórico de frustrações que o astro tem quando o assunto é Oscar.

Di Caprio em cena de 'O Regresso'
Di Caprio em cena de ‘O Regresso’

#OscarsSoWhite – A exemplo do que aconteceu em 2015 e motivou uma série de protestos, não há presença de negros entre os vinte atores e atrizes indicados aos prêmios de atuação, ou entre os cinco nomeados a melhor diretor e este ano nem mesmo entre os 17 profissionais espalhados entre roteiro original e roteiro adaptado.

Nomes como Will Smith (Um Homem Entre Gigantes), Idris Elba (Beasts of No Nation) e Michael B. Jordan (Creed) eram considerados possíveis concorrentes, mas ficaram de fora. Straight Outta Compton, que conta a trajetória do grupo de rap N.W.A., era outro que chegou a figurar entre as apostas nas categorias de melhor filme e ator/ator coadjuvante, mas acabou com uma solitária indicação a melhor roteiro adaptado, escrito por dois indivíduos brancos, por sinal.

O único consolo é a escolha do comediante Chris Rock como mestre de cerimônia da entrega. Resta saber se ele fará algum comentário sarcástico sobre a questão, que fica a cada ano mais difícil de ser ignorada.

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Chris Rock apresentará o Oscar pela segunda vez. Primeira foi em 2005.

Outra ausência sentida foi Carol, elogiadíssimo drama sobre o romance entre duas mulheres numa sociedade conservadora, que estava nas conversas sobre o Oscar desde sua estreia em Cannes (maio/2015).

Mesmo com seis nomeações, incluindo atriz (Cate Blanchett), atriz coadjuvante (Rooney Mara) e roteiro adaptado, é estranho ver o filme e seu diretor Todd Haynes, homossexual assumido, deixados de lado nas suas respectivas categorias.

Já para os representantes da comunidade latina, o anúncio dos indicados foi um pouco mais favorável. O México pode se orgulhar não apenas de Iñarritú, mas também de ter uma co-produção de seu país com os Estados Unidos entre os documentários, com Cartel Land, de Matthew Heineman.

Mesmo sem Que Horas Ela Volta?, o Brasil também terá seu representante na festa do dia 28 de fevereiro, com o longa de animação O Menino e o Mundo, de Alê Abreu. Entre os curtas de animação, marca presença o chileno Bear Story, de Gabriel Osorio Vargas.

A Colômbia emplacou o primeiro representante de seu cinema na categoria filme estrangeiro, com O Abraço da Serpente, de Ciro Guerra.

O representante latino tem, no entanto, um páreo duro pela frente. Além do ‘já ganhou’ O Filho de Saul (primeiro longa do húngaro Laszlo Nemes, que chega com um Globo de Ouro e um Prêmio Especial do Júri de Cannes), o francês As Cinco Graças, o único longa da categoria a ser dirigido por uma mulher, a franco-turca Deniz Gamze Ergüven.

Na trama, que começa com a leveza das cores do litoral da Turquia, cinco irmãs adolescentes passam a entender os códigos tácitos que existem em torno de uma sociedade que literalmente vai escondendo a mulher e seus desejos (sejam eles o de navegar na internet ou de sair com o namoradinho ou apenas ir à escola).

Completam a lista A War, do dinamarquês Tobias Lindholm, sobre um soldado dinamarquês em missão no Afeganistão que tem de fazer uma escolha que mudará sua vida; e o jordano Theeb, de Naji Abu Nowar, que retrata o amadurecimento de dois jovens órfãos beduínos durante o ano de 1916 e marca a primeira indicação da Jordânia ao Oscar.

'O Abraço da Serpente', representante da Colômbia
‘O Abraço da Serpente’, representante da Colômbia

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