selomostra39Era para ser o plano perfeito. Thomas (Devid Striesow) planejou as férias com a família numa estação de esqui nos Alpes Suíços, e ainda arrumou um jeito de fazer média no trabalho, ao levar Sarah (Annina Walt), a filha do chefe, para se juntar à sua esposa e filha adolescente. Assim começa Um Homem Decente, representante da Suíça na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

As garotas saem para um bar logo na primeira noite, ocorre um crime, e a partir daí tudo foge ao controle. Sarah diz ter sido abusada sexualmente por um rapaz mais velho, filho do caseiro e objeto da afeição da filha de Thomas. Este entra numa espiral de artimanhas para evitar que o assunto ganhe maiores proporções.

Desconcertado com a notícia, ele tenta colocar panos quentes, esconde a verdade da família, até porque o casamento está em momento delicado. Também diz ao pai da jovem que está tudo bem, imaginando que o estupro, por ter sido cometido enquanto a menina estava sob seus cuidados, pode prejudicar sua posição no emprego.

Striesow (ator alemão já visto em diversas produções do país, como A Queda! As Últimas Horas de Hitler, de Oliver Hirschbiegel, e Triângulo Amoroso, de Tom Tykwer) está preciso no papel deste “homem decente” do título.

Com seu olhar aparentemente bondoso, preocupação em evitar conflitos e manter um ambiente de suposto bem-estar (principalmente para ele mesmo), é o retrato do cidadão de bem capaz de fazer vistas grossas às maiores atrocidades, desde que tire o seu da reta.

À medida que a bola de neve aumenta, seus esforços chegam ao patético, como é representado nas repetidas tentativas de consertas as coisas em torno de um jantar com fondue ou no constrangedor pedido de desculpas que exige como reparação à Sarah.

A atmosfera de tensão naquele ambiente gelado é o que move o roteiro, em que a graça está em ver até onde o protagonista vai para se proteger. É um cenário parecido com outro drama psicológico que causou sensação no evento ano passado, o sueco Força Maior. Ambos trazem personagens masculinos no centro, sem saber como agir diante de uma situação extrema.

O que o filme do diretor Micha Lewinsky (que já tinha participado da Mostra em 2008, com O Amigo) parece insinuar é que sujeitos como Thomas podem até dar um jeito de escapar ilesos das maiores presepadas, mas sempre terão uma dívida aberta quando colocarem a cabeça no travesseiro.

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Nossa Opinião

8.0
A atmosfera de tensão naquele ambiente gelado é o que move o roteiro, em que a graça está em ver até onde o protagonista vai para se proteger.
Nota 8.0