Nossa Opinião

8.0
A história verídica - ou pelo menos a versão oficial, que o francês narrou no documentário 'O Equlibrista' - é tão saborosa e cheia de reviravoltas emocionais que nem precisa de muito esforço para prender a atenção.
Nota 8.0

Quem assistiu ao documentário vencedor do Oscar O Equlibrista já conhece a história de Philippe Petit, o excêntrico artista francês que, em 1974, surpreendeu o mundo ao surgir caminhando por um cabo suspenso entre as duas torres gêmeas do então recém-construído World Trade Center, sem rede de proteção.

Agora é a vez de Robert Zemeckis recontar o mesmo caso, com Joseph Gordon-Levitt no papel principal e efeitos especiais literalmente vertiginosos, ainda mais quando assistidos em 3D ou Imax. Trata-se certamente de um filme no qual a experiência com o formato faz diferença real.

Já há relatos de pessoas que passaram mal durante as sessões nos Estados Unidos, com medo das tomadas aéreas que fazem o público contemplar a longa distância entre o terraço dos prédios e a terra firme.

Quer dizer então que A Travessia é como um grande passeio de montanha russa? Sim, e ele se assume desde o princípio como tal. Fiel à personalidade falante e magnética de Petit, o filme mantém seu protagonista contando todos os detalhes de sua proeza, olhando a câmera nos olhos, afinal, a quarta parede não é limitação para alguém disposto a desafiar espaços.

Conhecido por viver com os sentimentos à flor da pele, Philippe Petit é alguém que parece nascido para ser personagem. E aí Levitt deita e rola, às vezes com gritos além da conta na tentativa de demonstrar tamanha intensidade. Na maior parte do tempo, no entanto, o ator dá conta do recado muito bem.

Em tom de fábula, conhecemos sua vocação para o circo desde jovem e a formação do grupo de comparsas que lhe ajudariam a praticar aquela perigosa travessura.

Um ponto fundamental é a presença de Papa Rudy (Ben Kinglsey), figura colocada como fundamental aqui e deixada de fora no documentário, o que entra na categoria de “liberdades criativa” que Hollywood toma quando adapta um acontecimento real. Neste caso, Rudy cumpre a função do mentor, arquétipo exigido pelos principais manuais de roteiro do cinemão.

De resto, a história verídica – ou pelo menos a versão oficial, que o francês narrou em O Equlibrista – é tão saborosa e cheia de reviravoltas emocionais que nem precisa de muito esforço para prender a atenção.

A trama ágil ganha toques de filme de espionagem quando o grupo chega aos Estados Unidos e passa a fazer suas visitas clandestinas às torres. Uma realidade inimaginável nos dias de hoje: com simples disfarces improvisados de engenheiros, jornalistas e até turistas eles conseguiam driblar a segurança do local, na época muito menos rígida, claro.

Eram outros tempos, e A Travessia sabe disso. Neste clima, permeia todo o longa um subtexto de homenagem ao World Trade Center, a construção imponente que fascinou e se tornou o objetivo de vida de Petit, culimando em seu agridoce discurso final.

Comentários

comentários