Nossa Opinião

8.0
À primeira vista, o filme pode parecer um olhar para o choque de gerações, mas cresce quando joga com as projeções dos personagens sobre suas realidades
Nota 8.0

Em várias entrevistas na época da estreia de ‘Enquanto Somos Jovens’ no circuito internacional de festivais, o diretor e roteirista Noah Baumbach disse que a inspiração para a história veio a partir de uma convivência intensa com essa nova geração de vinte e poucos anos. A julgar pelo filme, ele captou no ar certas idiossincrasias, que servem de combustível para a comédia que reforça seu nome como um dos queridinhos da crítica mundial.

À primeira vista, o filme pode parecer um olhar para o choque de gerações, tema recorrente em seus melhores trabalhos, como ‘A Lula e a Baleia’ e ‘Frances Ha’. Mas o cineasta aproveita também para discutir a cultura hipster, aquela em que todos os movimentos são meticulosamente calculados para parecer espontâneos.

Com sua típica precisão nos diálogos que remetem a Woody Allen, de quem é discípulo, Baumbach conta a história de Josh (Ben Stiller) e Cornelia (Naomi Watts), casal na casa dos quarenta anos, presos a um limbo de projetos adiados e indecisões. Eles são surpreendidos com a entrada de Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried) em sua vida. Vinte anos mais jovens, cheios de energia criativa e, por algum motivo, fascinados por Josh e Cornelia da mesma forma que cultuam “antiguidades” como livros de papel, fitas VHS e jogos de tabuleiro.

Josh, principalmente, gosta de ter o ego massageado por Jamie, que se apresenta como fã de um documentário dirigido por ele, anos atrás. É um potencial pupilo sedento por dicas para usar em seus próximos projetos, que serve também como uma espécie de filho que ele ainda não teve.

O conflito surge a partir do momento em que Josh e Jamie passam a trabalhar juntos e divergem sobre o grau de realismo na abordagem do tema do filme que estão fazendo, o que gera a crise que muda o curso do roteiro. A partir daí, até a natureza da relação entre a dupla de casais entra em xeque.

Baumbach trafega bem entre os dois ambientes, e parece se segurar para não fazer juízo de valores sobre qual serve como modelo melhor. Talvez por isso ‘Enquanto Somos Jovens‘ empaca um pouco na reviravolta final, com um desfecho que, em vez de seguir a melhor característica do filme – uma combinação entre humor ácido e certa dose de melancolia – procura agradar os dois lados.

 

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