Nossa Opinião

7.5
Felizmente, a história pessoal do personagem é tão rica que dissipa a impressão de estarmos diante apenas de uma biografia chapa branca. Ah, e a trilha sonora, claro, é ótima
Nota 7.5

Figura das mais geniais e enigmáticas da história da música pop, Brian Wilson ganhou um filme que ilumina um pouco de sua personalidade, sem se apegar a tentar contar a biografia completa do artista, que completou 73 anos no último mês de junho.

Love & Mercy, de Bill Pohland, concentra sua narrativa em dois pontos fundamentais da trajetória de Wilson. A primeira, nos anos 60, retrata o momento em que o líder dos Beach Boys decidiu sair da turnê com o grupo para se concentrar na criação do conceito que daria origem a Pet Sounds, até hoje um título obrigatório em qualquer lista de melhores álbuns de todos os tempos.

Cabe a Paul Dano interpretar o músico nesta fase, papel que cai bem ao ator, que já demonstrou seu talento em Sangue Negro e Pequena Miss Sunshine. Perito em olhares perdidos e no estilo desajeitado, Dano mostra que semelhança física ou uma caracterização pesada ficam em segundo plano quando se consegue captar a alma de seu personagem com tamanha sensibilidade.

Atormentado pelas vozes que ouvia em sua cabeça, Brian Wilson então lutava para transformar a condição em força criativa. Era obcecado por construir uma sonoridade repleta de camadas, porque assim ouvia as coisas. O fato dos familiares, também seus companheiros de banda, não compreenderem as ideias que trazia, só contribuía para a sensação de isolamento que Dano representa tão bem, nas partes mais interessantes do longa.
Sessões no Festival do Rio:
Sexta, 9/10 – 23h59 | Cine Odeon
Domingo, 11/10 – 16h30 e 21h30 | Roxy
Quarta, 14/10 – 13h45 e 18h45 no Kinoplex São Luiz 2

Na montagem que vai e volta no tempo, John Cusack faz Wilson nos anos 80. Sob a tutela do terapeuta Eugene Landy (Paul Giamatti), que o diagnosticara como esquizofrênico, ele virou pouco mais que um fantasma, um sujeito dado como incapaz de tomar qualquer decisão ou andar na rua desacompanhado.

O filme se esforça então para pintar Landy como vilão, e coloca Melinda (Elizabeth Banks) no papel de salvadora, alguém que aparece para colocar vida e carreira do vocalista dos Beach Boys nos eixos novamente. O próprio Wilson disse em entrevista à Fox News que a performance de Giamatti é “tão semelhante à vida real que me dá medo”.

Sua presença como consultor do roteiro, ao lado da esposa, deixam claro o tom de homenagem que Love & Mercy carrega, principalmente em seu desfecho. Na mesma entrevista, John Cusack declara que sua preocupação majoritária era deixar Brian Wilson feliz com sua atuação. Isso explica porque as experiências com diversas drogas e até as partes mais obscuras do transtorno psicológico que sofria são tratadas de forma leve, coroadas por um desfecho um tanto quanto meloso.

Felizmente, a história pessoal do personagem é tão rica que dissipa a impressão de estarmos diante apenas de uma biografia chapa branca. Ah, e a trilha sonora, claro, é ótima.

Comentários

comentários