40mostra_peqDesconhecida não é exatamente um grande filme, mas é daqueles que valem pelo duelo de interpretações entre seus dois protagonistas: Rachel Weisz e Michael Shannon, atores do primeiro time de Hollywood, extremamente versáteis e de performances sempre interessantes.

Rachel é mais famosa, já venceu o Oscar de atriz coadjuvante por O Jardineiro Fiel (2005), do brasileiro Fernando Meirelles, e apareceu para o mundo como a mocinha de A Múmia (1999). Aqui ela faz a misteriosa Alice, mulher camaleônica que esconde muitos segredos.

Ao seu lado está o taciturno Shannon, cuja capacidade de parecer ameaçador já até lhe rendeu o papel de inimigo do Superman em O Homem de Aço (2013). Mas desta vez ele é o pacato Tom, homem dividido entre compromissos profissionais e um momento fundamental do relacionamento com a esposa. Ele leva um choque durante sua festa de aniversário, ao ver entre as convidadas justamente Alice. Aos poucos, vai ficando claro porque a aparição o desconserta.

’Desconhecida’ na 40ª Mostra

Quinta (20/10) às 21h50 no Espaço Itaú Frei Caneca 1 | Sábado (22/10) às 19h25 no Reserva Cultural 2 | Domingo (23/10) às 20h na Cinesala | Sexta (28/10) às 19h20 no Espaço Itaú – Augusta 1

O filme, exibido no começo do ano no Festival de Sundance, se desenvolve então como uma reflexão sobre identidade e escolhas. A tentação de viver muitas vidas numa só versus a possibilidade de construir laços reais. São questões existenciais válidas e de difícil trato, apresentadas de maneira informal, quase banal, o que deixa a impressão de que, com mais profundidade, Desconhecida poderia ser inesquecível.

Joshua Marston, cineasta que esteve na Mostra outras três vezes, uma delas com o poderoso Maria Cheia de Graça, que levou o prêmio do júri em 2004, escolhe um caminho contemplativo e minimalista, reduzido basicamente a uma noite na vida dos personagens.

Há algo de hipnótico, porém, em observar o jogo entre Rachel e Shannon. As palavras saem sem nunca parecerem forçadas, mesmo num contexto que beira o surrealismo, e a química da dupla é totalmente crível. Como bônus, ainda há a participação especial de Danny Glover e Kathy Bates na melhor cena do filme.

Nossa Opinião

7.0
Há algo de hipnótico em observar o jogo entre Rachel Weisz e Michael Shannon. As palavras saem sem nunca parecerem forçadas, mesmo num contexto que beira o surrealismo, e a química da dupla é totalmente crível.
Nota 7.0

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