“Casting é uma das coisas mais importantes que posso fazer. Só de escolher bem meus atores eu já me poupo de fazer muita coisa.” Assim definiu Steven Spielberg um dos trabalhos mais importantes de seu novo longa, a fábula sobre a amizade entre uma menina é um gigante, BFG, ou O Bom Gigante Amigo, que fez sua première no dia 14 de maio no Festival de Cannes 2016.

A tarefa não era nada fácil, uma vez que para contracenar com o incensado Mark Rylance, que interpreta o Gigante, era preciso encontrar uma pequena-grande atriz, capaz de transmitir para o cinema a personalidade infantil, mas extremamente corajosa da órfã Sophie, a heroína do livro escrito em 1982 pelo britânico Road Dahl (autor de obras como o já clássico A Fantástica Fábrica de Chocolates).

E Spielberg e os produtores do longa, Kathleen Kennedy e Frank Marshal (velhos parceiros do diretor) cumpriram a tarefa com louvor. A pequena Ruby Barnhill é uma Sophie tão ingênua quanto engenhosa, encantadora com seu sotaque britânico e sua forma carinhosa de corrigir o inglês do Gigante e o encorajá-lo a lutar contra gigantes maiores ainda, que o desrespeitam, invadem sua casa quando bem querem e, a gota d’água, são devoradores de humanos.

Ainda que este não seja o maior, e melhor, longa de Spielberg, BFG vale por seu elenco afiado (além da dupla principal, conta com Rebecca Hall, Penelope Wilton (de Downton Abbey) e Jemaine Clement) e por marcar o retorno do diretor ao universo das histórias infantis. “Estou sempre atrás de boas histórias. Quando li para menus filhos, eu me tornei o BFG. Me lembro como meus filhos reagiram lindamente à magia criada por Road Dahl. Foi esta magia que eu também quis dar ao filme”, comentou o diretor sobre a decisão de adaptar a obra de Dahl que já vendeu milhares de exemplares em todo o mundo.

A magia, no caso a visual, foi realmente impecavelmente criada por meio de efeitos visuais que já colocam o longa na lista dos candidatos ao Oscar da categoria. O Gigante, ou BFG, como Sophie o chama, é quase real. Assim como os sonhos que ele caça e que ‘cria’ quando combina vários sonhos de pessoas e temas diferentes. Os sonhos e pesadelos são vaga-lumes tão reais quanto etéreos nesta fantasia que vai certamente dialogar bem com o público infantil.

Mas há que se admitir que o melhor efeito do filme é a atuação de Rylance (que não à toa levou este ano o Oscar de melhor ator coadjuvante por Ponte dos Espiões, também de Spielberg). “Para mim, o mais importante foi usar minha imaginação. Éramos apenas Ruby e eu brincando em um espaço chamado ‘volume'”, comentou o ator sobre o desafio de interpretar um gigante e brincar literalmente com as proporções em sua atuação.

Já Spielbelg, depois de 44 anos de carreira e de clássicos como ET – O Extraterrestre e Tubarão, sabe que a imaginação é a verdadeira magia cinematográfica. Muito por isso se cerca de bons atores e não quer mais abrir mão do britânico Rylance em seus projetos. Nem em sua vida. “Em 44 anos de carreira, eu conheci muita gente, mas trouxe muito poucos para a minha vida. E ter uma amizade de verdade é incrível. Rylance é extraordinário”, revelou o cineasta.

BFG – O Bom Gigante Amigo estreia em julho no Brasil e deve, bem ‘à moda de Spielberg’, levar milhares de pequenos e grandes espectadores aos cinemas. “Todo filme é órfão até ser adotado por alguém. Espero que este seja adotado por muitos lares.”

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