Nossa Opinião

3.0
É estranhamente tedioso e, apesar das imagens explícitas, nada sensual. A cena do pênis ejaculando na direção da câmera constrange mais o filme do que o público
Nota 3.0

Para algo que foi cercado de tanta expectativa desde a estreia em Cannes, Love é decepcionante. Acostumado a surpreender o público com sua disposição a criar impacto custe o que custar, Gaspar Noé fez um filme que é estranhamente tedioso e, apesar das imagens explícitas, nada sensual. Há muita genitália e pouco erotismo.

Essa apresentação fria poderia seria mais coerente caso fosse uma história de amores vazios. Mas o roteiro propunha o contrário. Afinal, o protagonista, Murphy (Karl Gusman) é obcecado pela ex-namorada, Electra (Aomi Muyock), e passa boa parte dos longos 134 minutos de duração relembrando seus momentos com a garota.

Quando não estão na cama, discutem o amor, ciúmes e outros aspectos da vida sentimental, muitas vezes com gritaria além da conta e nenhuma substância.

Era para ser algo intenso, apaixonado, mas a pouca expressividade dos atores e os diálogos pouco inspirados não permitem que a coisa avance. A dupla está há anos luz da química incandescente do casal de Azul é a Cor Mais Quente, só para citar outro filme recente que também causou polêmica quando passou pelo mais famoso festival de cinema do mundo.

Nem o 3D ajuda nessa aproximação e parece estar lá mais como tentativa de chocar o público do que em função da história. Prova disso é a já famigerada cena do pênis ejaculando na direção da câmera, que constrange mais o filme do que o público.

Famoso por criar sequências que se tornam mais notórias do que suas obras (o estupro em Irreversível, a abertura de Enter The Void, copiada pelo rapper Kanye West no clipe de “All of The Lights”), Noé está cada vez mais refém do próprio ego. E aí, até as qualidades técnicas ficam em segundo plano.

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