Nossa Opinião

7.0
Rodrigo Santoro dá conta do recado de maneira sólida, mas o destaque é mesmo a francesa Juliette Binoche
Média 7.0

Para o bem e para o mal, Os 33 é tudo que se espera dele. A diretora mexicana Patricia Riggen segue à risca a cartilha dos filmes-catástrofe, sem inventar moda e contando com a vantagem de tratar de uma história real ainda fresca na memória do público.

É o suficiente para emocionar, mesmo com a impressão de déjà vu.

A clara opção por fazer um produto de olho no mercado internacional é explícita no elenco, que não conta com nenhum chileno interpretando os protagonistas.

Logo no começo, somos apresentados aos personagens típicos de dramas do gênero: há sempre um veterano prestes a se aposentar, um novato assustado e um líder bonachão, por exemplo. Este último é Mario Sepúlveda, papel que Antonio Banderas defende como um toureiro, na tentativa de domar os ânimos dos companheiros.

A fotografia escura e quase sempre com planos fechados dá a sensação de claustrofobia, e ajuda a passar um pouco do que os mineiros viveram naqueles longos meses.

Do lado de fora, Rodrigo Santoro faz o engravatado de bom coração, Laurence Golborne, Ministro da Mineração. Como a ponte entre o desespero dos familiares das vítimas e o governo, é alguém que entra em cena cheio de energia, e vai aos poucos se abatendo tanto quanto os homens que busca salvar.

O ator brasileiro dá conta do recado de maneira sólida, mas o destaque é mesmo a francesa Juliette Binoche. Como Maria, ela foge do esteriótipo de familiar desesperado, mesmo que o roteiro às vezes a empurre para isto, como na cena em que dá um tapa na cara de Santoro.

Seu olhar expressivo é capaz de levar sequências inteiras, e é o que acontece quando sua personagem busca comunicação com o irmão, através da câmera colocada no subterrâneo. Na tela improvisada abaixo do solo, ela espera aquele homem ocupar a cadeira vazia numa ansiedade que entra mais fundo do qualquer escavadeira.

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