Andar de bicicleta e ir a uma sessão de cinema ao ar livre, duas atividades em alta na cidade de São Paulo, encontram-se novamente num mesmo evento, a Cine-Cicletada. A quinta edição, prevista para o próximo sábado, dia 9 de abril, com o tema Memória e Verdade, pega carona também na discussão política e presta homenagem aos mortos, torturados e desaparecidos durante os anos de ditadura na América Latina.

Além dos curtas-metragens que fazem parte da programação abordarem o assunto, o circuito, que sai da Praça do Ciclista às 17h, passará por locais emblemáticos como o monumento criado por Ricardo Ohtake, inaugurado em 2014 no Parque do Ibirapuera. Em sua estrutura metálica imponente, aparecem os nomes de 463 vítimas da violência durante a ditadura militar no Brasil.

Lá, os participantes terão a chance de assistir ao curta Projeto 68, de Julia Mariano, sobre a luta do movimento estudantil no final da década de 60, que culminou na Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro. O filme conta com imagens de época realizadas por Glauber Rocha e Arnaldo Jabour, entre outros.

Depois de passar também pelo recentemente tombado prédio onde funcionou o DOI-Codi, na Rua Tutoia, palco de torturas e outras atrocidades durante o regime militar, os ciclistas chegarão à Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana.

No cinema ao ar livre do espaço, que vem sendo descoberto pelo público com uma programação regular de festivais, mostras e eventos especiais, serão exibidos mais curtas, como Marimbás, assinado por Vladimir Herzog, e a animação chilena História de Um Urso, vencedor do Oscar de sua categoria neste ano.

Dirigido por Gabriel Osorio, o filme narra de forma singela e emocionante algumas lembranças de quem sofreu com os anos de comando do general Augusto Pinochet. O avô do cineasta, Leopoldo, ficou preso e em exílio durante o período, tornando-se uma figura forçadamente ausente de suas memórias. Este sentimento foi a gênese do curta, que ganha na Cine-Cicletada uma rara exibição em tela grande no Brasil.

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