botaooscarA maioria dos jargões econômicos usados pelas instituições financeiras servem para te confundir, ou melhor ainda, preferir manter distância de qualquer contato profundo com elas. Essa é a tese de Jared Vennett, o personagem de Ryan Gosling que não apenas narra como é responsável por algumas das melhores tiradas de A Grande Aposta.

Fiel à ideia, o filme tem uma profusão de termos técnicos, disparados com a velocidade típica dos pregões de Wall Street. Como é quase impossível compreender do que aqueles sujeitos estão falando, o diretor Adam McKay usa brincadeiras criativas para prender a atenção do público e contar a história de como a crise econômica de 2008 abalou os Estados Unidos – e posteriormente, boa parte do mundo.

Nossa Opinião

9.0
O ritmo é ágil, a trilha sonora muito bem escolhida e a montagem mescla vídeos da internet e outras referências pop, fazendo com que, apesar do assunto espinhoso, a experiência nunca se torne cansativa.
Nota 9.0

Em esquetes bem-humoradas, por exemplo, o chef de cozinha Anthony Bourdain, a atriz Margot Robbie e a cantora Selena Gomez aparecem para explicar siglas e estratégias usados pelos bancos para garantir seus lucros. O ritmo é ágil, a trilha sonora muito bem escolhida e a montagem mescla vídeos da internet e outras referências pop, fazendo com que, apesar do assunto espinhoso, a experiência nunca se torne cansativa.

McKay foi roteirista fixo do Saturday Night Live por seis anos, de 1995 a 2001. No cinema, é conhecido principalmente por dirigir alguns dos maiores sucessos do comediante Will Ferrell, como O Âncora, Quase Irmãos e Ricky Bobby – A Toda Velocidade. Todo este histórico explica a forte veia cômica de seu novo filme, que pega carona no caminho aberto por outra produção que usou um tom farsesco para satirizar os excessos daquele ambiente: O Lobo de Wall Strett.

Porém, se no filme de Martin Scorsese o protagonista era um playboy inescrupuloso e cheio de lábia, os personagens de A Grande Aposta são esquisitões, outsiders, nerds que sempre desconfiaram da história de que o sistema bancário dos Estados Unidos era infalível e por isso mesmo foram taxados de louco, subestimados.

Michael Burry (Christian Bale) é retratado como antissocial, excêntrico, costumeiramente ouvindo Metallica no último volume, quase um adolescente. Mark Baum (Steve Carell) é um homem hesitante e em frangalhos, numa luta quixotesca para mostrar que a fórmula do capitalismo sem limites estava prestes a explodir. São duas grandes atuações, num elenco que ainda tem Brad Pitt, Marisa Tomei, Hamish Linklater e Melissa Leo.

Mesmo com toda a graça, o filme faz questão de sublinhar que quem mais sofreu os impactos da crise não foram propriamente os bancos. A conta, logicamente, ficou nas mãos da população, que foi primeiramente incentivada a comprar casas a crédito e de repente se viu com dívidas hipotecárias imensas, e diante de uma onda avassaladora de desemprego.

“Deixei de trabalhar em um banco porque eles tratam as pessoas apenas como números. Então, por favor, não comemorem o fato de que milhares de família vão se dar mal”, diz o personagem de Brad Pitt à certa altura, para seus empolgados pupilos.

Adam McKay tem dito em suas entrevistas sobre o filme que fomos condicionados para tratar a economia como um assunto tedioso, e isso é perigoso. A Grande Aposta transforma todo esse papo em algo fascinante e, quem sabe, ajude a instalar uma bem-vinda pulga atrás da orelha naqueles que defendem o modelo norte-americano como solução para tudo.

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