Boi Neon, novo longa do diretor brasileiro Gabriel Mascaro, levou neste sábado o Grande Prêmio do Júri da Mostra Orizzonti Horizontes do Festival de Cinema de Veneza. Dedicada a destacar ao mundo obras que tragam inovação ao cinema, tanto em temática quanto forma, a Horizontes é a segunda mostra competitiva mais importante do festival italiano.

“Muito obrigada ao júri. Eu sei que minha equipe e todos que trabalharam neste filme estão muito felizes por este prêmio. Eles são parte disso. Este prêmio é para vocês, meus amigos”, declarou o Mascaro ao receber seu troféu, concedido por Jonathan Demme (presidente da comissão), Anita Caprioli, Fruit Chan, Alix Delaporte e a atriz espanhola Paz Vega.

O longa narra a trajetória de uma trupe que viaja de vaquejada em vaquejada pelo nordeste a bordo de um caminhão que transporta bois e também serve como casa deles. A bordo dele vivem e viajam Iremar (Juliano Cazarré, de Serra Pelada), Galega (Maeve Jinking, de O Som ao Redor) e sua filha Cacá (Alyne Santana), Zé (Carlos Pessoas) e Negão.

O diretor pernambucano Gabriel Mascaro recebe o Grande Prêmio do Júri da Mostra Horizontes do Festival de Veneza
O diretor pernambucano Gabriel Mascaro recebe o Grande Prêmio do Júri da Mostra Horizontes do Festival de Veneza

Em vez de revelar o nordeste já conhecido no exterior, calcado pelos registros da fome e da seca que estiveram em foco no Cinema Novo (Glauber Rocha levou diversos prêmios e era persona muito bem vinda no festival italiano), Boi Neon foi elogiado pela crítica internacional justamente por trazer um nordeste contemporâneo, em que tradições e cores possuem muito mais nuances que os velhos tons.

“O filme é para mim uma tentativa de atualizar o imaginário político e simbólico acerca da contemporização das relações humanas no Brasil em meio à recente onda de prosperidade econômica, em especial no Nordeste brasileiro, lugar onde nasci e desde sempre vivi”, declarou o diretor sobre seu longa, que compete ainda nesta semana no Festival de Toronto, no Canadá.

Iremar, em vez de ser o típico vaqueiro machão, é apaixonado por costura e sonha em criar vestidos e roupas, instigado pela  industrialização por que passa o semi-árido do nordeste do Brasil, processo que leva para a região um pólo de confecção de roupas. Quando não está preparando os bois para a arena, “passando o dia todo com a mão no cocô de boi”, como provoca Galega em uma das cenas do filme, ele recorta revistas de moda e celebridades e sonha com lantejoulas, tecidos sofiscados e croquis. Assim como um Brasil, e um sertão, em transformação, a relações humanas também mudaram, e mudam, muito.

“O filme é para mim uma tentativa de atualizar o imaginário político e simbólico acerca da contemporização das relações humanas no Brasil em meio à recente onda de prosperidade econômica, em especial no Nordeste brasileiro, lugar onde nasci e desde sempre vivi. Boi Neon lança uma nova luz sobre as transformações recentes do país”, completou o diretor e roteirista.

 

 

 

 

 

 

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