selomostra39festival-rio-seloIntegrantes da novíssima geração do cinema gaúcho, Filipe Matzembacher (27 anos) e Marcio Reolon (30) são os diretores e roteiristas de Beira-Mar.

Apenas um pouco mais velhos que a dupla de protagonistas, demonstram logo no primeiro longa um olhar sensível e delicado para contar uma história de construção de identidade, beneficiando-se da proximidade que têm com o universo que retratam.

Como explicaram no Festival de Berlim (onde o filme foi exibido numa mostra paralela dedicada aos novos talentos), a intenção sempre foi fazê-lo antes de terem um distanciamento da linguagem do jovem atual, para não cair na armadilha do saudosismo.

Assim, a já conhecida explosão de hormônios e sentimentos típicos do final da adolescência ocorre de forma muito mais íntima e silenciosa, condensada em um final de semana em que os personagens se isolam do mundo e se expõem para si mesmos, como a casa de vidro que habitam naqueles dias.

Martin (Mateus Almada) vai até o litoral gaúcho a pedido do pai para buscar um documento ligado a uma questão burocrática familiar. Parte na tarefa escoltado pelo amigo Tomaz (Maurício José Barcellos).

Chegando lá, se dá conta que o pai não é muito bem quisto pelos entes que deixou pra trás. Enquanto pensa em uma solução para o problema, procura maneiras de passar o tempo entre bebidas, encontro com outros amigos que passam pela casa onde estão e memórias da infância.

A trama se desenrola lentamente, o que pode desagradar quem gosta de grandes embates, pontos de virada e frases de efeito. Há uma sutil tensão sexual, sugerida em cenas como a dos dois garotos no sofá, com as mãos se movendo freneticamente próximas à região pubiana entre expressões de esforço físico – tudo parece indicar uma masturbação, mas trata-se de uma partida de videogame.

O maior mérito de Beira-Mar é tratar a revelação da homossexualidade de seus personagens como algo natural, renegando a tradição de cenas excessivamente dramáticas, regadas a sofrimento e negação. É também apenas um elemento de personagens que não ficam restritos a um rótulo e têm outras questões para resolver antes de mergulhar na vida adulta.

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Nossa Opinião

7.5
A já conhecida explosão de hormônios e sentimentos típicos do final da adolescência ocorre de forma muito mais íntima e silenciosa, condensada em um final de semana em que os personagens se isolam do mundo e se expõem para si mesmos
Nota 7.5