Contido, melancólico, sem momentos catárticos de redenção. Tudo em Manchester à Beira-Mar é feito para espelhar a identidade do zelador Lee (Casey Affleck), seu protagonista. Assim, o longa se torna uma observação sóbria de temas extremamente difíceis, como a culpa e o luto.

O cenário em uma gélida região do estado de Massachusetts também serve a este sentido. É lá, entre afazeres dos mais variados para os moradores locais, que o protagonista vê a vida passar lentamente. De início, estranhamos seu comportamento arredio e indisposto a qualquer contato humano. Alguns momentos depois, descobriremos que é uma cruz que decidiu carregar por conta própria, devido a uma tragédia em seu passado.

É o fantasma dessa tragédia que Lee precisa encarar novamente quando volta para a cidade de Manchester, após a morte do irmão, que sofria de um grave problema de saúde. Sem seu conhecimento, foi escalado para cuidar do sobrinho Patrick (Lucas Hedges) até que este complete 18 anos.

Indicações ao Oscar

Filme, diretor, ator (Casey Affleck), ator coadjuvante (Lucas Heges), atriz coadjuvante (Michelle Williams) e roteiro original.

Diz o lugar-comum do cinema hollywoodiano que, a partir deste encontro, a vida de Lee se transformará, com algum tipo de lição a ser tirada com o convívio com o adolescente. Porém, o roteiro de Kenneth Lonergan é bem mais complexo do que isso.

Dramaturgo já indicado ao Pulitzer, Lonergan conduz seus personagens por um roteiros de meias-palavras e não diálogos que dizem muito. A cena de Affleck com a ex-mulher, vivida por Michelle Williams, onde nenhum dos dois consegue completar suas sentenças é o símbolo máximo daquelas cicatrizes que ficam por dentro, raramente são externalizadas, e marcam vidas para sempre.

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