40mostra_peqDefinitivamente, Tom Ford não está apenas brincando de ser cineasta. Em Animais Noturnos, seu segundo longa, o famoso estilista coloca seu apuro visual à serviço de uma história ainda mais complexa do que a estreia (Direito de Amar, que rendeu uma indicação ao Oscar para o protagonista Colin Firth), e constrói uma obra repleta de simbolismos e aberta às mais diferentes interpretações.

Se alguns dos temas do filme anterior continuam presentes, como a solidão, arrependimento e divagações existenciais, tudo agora é potencializado, num estudo amargo sobre a culpa, disfarçando de um suspense dos mais angustiantes.

Tudo começa quando Susan (Amy Adams), uma dona de galeria de arte, recebe o manuscrito do novo livro escrito pelo ex-marido, Edward (Jake Gyllenhaal), com quem não fala há 19 anos. O pacote vem com uma carta do próprio autor, pedindo atenção na leitura, já que o romance é dedicado justamente a ela.

’Animais Noturnos’ na 40ª Mostra

Terça-feira (25/10) às 21h55 no Espaço Itaú Frei Caneca 1 | Quinta-feira (27/10) às 18h na Cinesala | Sábado (29/10) às 21h50 no Espaço Itaú Augusta 1 | Terça-feira (1º/11) às 21h30 no Cinemark Cidade São Paulo

Antes mesmo de virar a primeira página, aquilo tudo já mexe com Susan, atualmente em crise financeira e conjugal com o segundo marido (Armie Hammer), num momento em que todas as estruturas de sua vida estão sendo questionadas.

Neste estado de espírito, ela vê paralelos entre o livro de Edward, que narra um pai de família que perde a esposa e a filha para criminosos brutais e depois parte em busca de vingança, e a própria história da relação entre os dois.

São notáveis os jogos que o filme faz, com rimas visuais como a de dois corpos entrelaçados nos sofás em contextos diferentes, ou até mesmo na escalação do elenco, já que Amy Adams e Isla Fisher (atriz que faz a esposa de Gyllenhaal na ficção dentro da ficção) tem uma inegável semelhança física, assim como Armie Hammer e sua contraparte como o criminoso sádico interpretado por Aaron Taylor-Johnson.

Ford coloca as duas tramas paralelas em ambientes completamente opostos. Na vida atual de Susan tudo é extremamente afetado, dos figurinos extravagantes ao modo de vida das pessoas que a cercam. Já o cenário do romance de Edward é um deserto pessimista e árido. Não por acaso, o realismo só aparece nos flashbacks que contam mais sobre o casal Edward e Susan, indicativo de um período que mantinha a protagonista mais nos eixos de sua personalidade.

Animais Noturnos pode ser visto como uma grande alegoria dentro da mente da personagem de Amy Adams. Assim, não importam as qualidades literárias ou as verdadeiras intenções do livro escrito por seu ex, mas sim as reações que suas interpretações causam em Susan. Se ela está mesmo certa nas correspondências que faz, é algo que nunca terá resposta, como a dura cena final deixa claro.

Nossa Opinião

9.0
O filme pode ser visto como uma grande alegoria dentro da mente da personagem de Amy Adams, num momento em que toda a estrutura de sua vida está sendo questionada.
Nota 9.0

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