selomostra39festival-rio-seloEm uma das noites mais badaladas do Festival do Rio 2015, Ana Paula Arósio e Rodrigo Santoro dividiram as atenções. O ator apresentou o longa Os 33 no Cine Odeon. Estrelado por Juliette Binoche, Antonio Banderas, Lou Diamond Phillips. E Gabriel Byrne, o filme conta história da tragédia vivida por 33 mineradores chilenos, que ficaram soterrados a 700 metros abaixo do nível do mar.

Já a atriz foi a estrela da première de A Floresta que Se Move, longa em que vive Clara, uma versão contemporânea de Lady Macbeth, no longa de Vinícius Coimbra, que transporta para os dias atuais o clássico Macbeth, de William Shakespeare em que Gabriel Braga Nunes vive Elias, uma versão contemporânea do personagem original, o nobre Macbeth.

Sempre reservada, a atriz falou rapidamente com a imprensa, mas não concedeu entrevistas longas antes da exibição do filme no Lagoon, em Ipanema, e deixou para falar com mais calma sobre a experiência de atuar com Gabriel Braga Nunes.  “Foi um grande privilégio poder fazer este personagem. Fiquei muito encantada com ela. Esta é uma adaptação muito consistente dessa história”, declarou a atriz, que atualmente é cotada para estrelar a nova novela das nove, Velho Chico, de Edmara e Bruno Barbosa, que tem supervisão geral de Benedito Ruy Barbosa.

 Clara, seu personagem, assim como na obra original, é obcecada pelo poder e manipula o marido, Elias (Braga Nunes), um vice-presidente de um grande banco, para que ele assassine o Rei Duncan da Escócia (no caso, o presidente e fundador do banco, vivido por Nelson Xavier) e assuma o poder, e o cargo.

Para a atriz, que atualmente vive em Londres e mantém-se reclusa, Clara é um personagem muito verossímil, uma vez que no mundo contemporâneo, a sede de poder e a ambição são questões muito presentes e “estão por toda parte.”  No longa, cuja estética clean, calcada em uma fotografia sóbria e ambientes minimalistas (do luxo contemporâneo da sede do banco à casa luxuosa, mas simples, do casal Clara e Elias), Ana Paula surge como uma figura inicialmente já endurecida, em que suas feições em nenhum momento mostram hesitação ou escondem suas reais intenções. Ao longo da trama, Clara perde a soberba e passa a sofre com a culpa pelo crime que ajudou a arquitetar. Ainda que careça de nuances, o papel é uma boa surpresa para os fãs da atriz, tão acostumados a vê-la nos dramas novelescos.

De cabelos curtos, elegante em um vestido  e sorridente, Ana Paula posou para fotógrados ao lado do marido, o arquiteto Henrique Pinheiro Plombon,  em sua chegada ao cinema, mas não falou na apresentação do filme para a plateia.

Foi Coimbra quem se pronunciou por sua equipe e trouxe um tema importante à baila. Coimbra declarou que nem só de comédias se faz o cinema nacional e defendeu a importância do drama. De fato, seu filme, ainda que possua pontos a ser melhor analisados, é um corajoso ato de fazer do drama um gênero que merece mais atenção dos espectadores brasileiros.

O longa integra também a programação da 39a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que ocorre de 22 a 04 de novembro.

Comentários

comentários