selomostra39Numa Mostra que tem o cartaz assinado por Martin Scorsese, Aliança do Crime, dirigido por Scott Cooper, é prova de o mestre é a influência maior de qualquer cineasta mais jovem que se proponha a fazer um filme sobre o crime organizado nos Estados Unidos.

Cooper (que tem no currículo os longas Coração Louco e Tudo por Justiça) seguiu a cartilha que o mestre construiu com Os Bons Companheiros, Cassino e Os Infiltrados. Se o resultado não faz feio, tampouco traz algo de muito novo ao público. É uma aposta segura: não decepciona, nem surpreende.

Para ajudar a atrair a atenção, o elenco é repleto de estrelas de Hollywood: Johnny Depp como protagonista, Benedict Cumberbatch, Kevin Bacon, Adam Scott, Juno Temple e Dakota Johnson (de Cinquenta Tons de Cinza) em papéis menores.

Depp vive James ‘Whitey’ Bulger, criminoso brutal que dominou Boston entre as décadas de 70 e 80 e não hesitava em matar inimigos pelas costas. Sob maquiagem pesada, lente de contato azul e uma careca bizarra, o ator volta à fazer um papel sério depois de muito tempo.

A performance de olhar sempre ameaçador e voz grave lhe credencia a ser um candidato natural ao próximo Oscar, ainda que tenha declarado recentemente não ter interesse no prêmio.

Olhando para os elementos da biografia que originou a história, até que demorou para Hollywood transformá-la em filme. Um dos chefões mais violentos que já passaram pelos Estados Unidos, ele era irmão de um influente senador democrata e foi informante do FBI por muito tempo.

É a esta aliança com o departamento de Estado que o título nacional se refere. Ela foi armada por John Connolly (Joel Edgerton), amigo de infância dos irmãos Bulger, que era um dos encarregados de conter a máfia na região. Baseada no elo de confiança mútua, a relação fez com que o FBI agisse com vista grossa aos crimes de Whitey, enquanto este entregava migalhas de informações que prejudicavam apenas seus rivais.

“Não é o que você faz, mas é quando, onde e com quem faz. Se for fazer algo errado, tenha certeza que ninguém está olhando”, é o ensinamento que o vilão passa ao filho, num exemplo de sua noção de ética.

Fascinado por sua figura central, Aliança do Crime se esforça para construir um personagem que entre para a iconografia do cinema moderno, mas não vai além do básico no resto. Até a boa atuação de Edgerton (revelado no ótimo australiano Reino Animal, também sobre mafiosos) como antagonista fica em segundo plano, eclipsada por tanta atenção em Bulger/Depp.

Comentários

comentários

Nossa Opinião

7.0
Fascinado por sua figura central, o longa se esforça para construir um personagem que entre para a iconografia do cinema moderno, mas não vai além do básico no resto
Nota 7.0