CinemaFestival de Cannes 2017

“Agora temos uma solução’, diz Al Gore ao mostrar ‘Uma Sequência Inconveniente’ em Cannes

Onze anos depois de sacudir o mundo, e levar o Oscar de Melhor Documentário, com Uma Verdade Inconveniente, o ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, traz ao Festival de Cannes o segundo capítulo de sua saga contra o aquecimento global, An Iconvenient Sequel (Uma Sequência Inconveniente).

Al Gore passou a segunda-feira conversando com jornalistas, personalidades e mostrou o filme, em pré-estreia mundial, para uma plateia pequena comparada às grandes salas do festival, mas visivelmente interessada pela causa que o filme defende. A sessão, que ocorreu na sala Soissantieme, contou com a presença do diretor artístico do festival, Thierry Fremaux. “Vocês vão ver um filme cuja importância é crucial e que estamos felizes de mostrar aqui dez anos depois que o primeiro foi exibido também em Cannes e que teve impacto no mundo todo”, comentou. “Agradeço a vocês e a Cannes por esta première mundial. Temos de ver nosso filme como um capítulo completamente novo. É o capítulo mais importante. Porque há uma solução”, disse Al Gore.

Para Gore, que em Uma Verdade Inconveniente alertou a população mundial sobre a ameaça do aquecimento global, a luta pela energia limpa, pela exploração sustentável das fontes de energia do planeta e do uso da energia solar não vai parar. “Nem mesmo um presidente pode parar a luta contra o aquecimento global”, comentou Al Gore quando questionado sobre as posições do atual presidente dos EUA, Donald Trump, que já negou algumas vezes a existência do aquecimento global.

Na sessão especial, também estiveram presentes os diretores do longa, Bonni Cohen e John Shenk. “Este não é meu filme. Ele foi feito por Bonnie e por John. E também agradeço a nossos pesquisadores e produtores, que fizeram um trabalho incrível no mundo todo”, declarou Gore.

“Estou muito feliz de poder também ajudar a escrever este novo capítulo”, afirmou a cineasta Bonnie Cohen. Já Shenk observou: “É um sonho para todos cineasta poder mostrar um filme em Cannes. É um sonho que se realiza.” O diretor também agradeceu a Al Gore: “Obrigada, Al, por estar conosco. E obrigada, Cannes! Vocês vão ver que uma boa parte deste filme foi rodada na França, pois estivemos em Paris por várias semanas. Há imagens incríveis.”

Já aos jornalistas, Al Gore afirmou também que espera que o partido republicano siga o exemplo da França e entre para a luta contra as mudanças climáticas. “Já houve momentos de luta interna entre a esperança e o desespero, como acontece com todo mundo que luta e que trabalha nesta causa. Mas a energia solar é uma solução possível e nós todos temos de nos unir”, afirmou o ex vice-presidente, que nos últimos dez anos rodou o planeta dando palestras, treinando técnicos e voluntários da causa, exibindo pesquisas e números que comprovam que não só o aquecimento é real como a utilização da energia solar e a aplicação desta tecnologia são viáveis e valem a pena economicamente.

No filme, imagens dos encontros de Al Gore com lideranças mundiais, palestras, apresentações se unem a vídeos caseiros que mostram tragédias provocadas pela elevação do nível do mar, derretimento de grandes geleiras (as sequências rodadas na Islândia são de arrepiar), furacões e tornados provocados pelas mudanças no clima, entre tantas outras.

Ainda que pudesse explorar mais a linguagem cinematográfica e buscar outra narrativa que não a do documentário de urgência, quase jornalístico, Uma Sequência Inconveniente traz um tema que é maior que seu estilo e certamente vai mais uma vez rodar o mundo. Já um outro Oscar de Melhor Documentário não deve se repetir. Porém, para Al Gore, como ele mesmo diz, importante mesmo é a luta pelo planeta.

Comentários

comentários