Pixels, o mais novo filme de Adam Sandler bem poderia se chamar a “Vingança dos Nerds”. Isso se este já não fosse o título de um dos clássicos pop dos anos 80, em que os nerds fundam sua fraternidade B na universidade para irem à forra depois de anos sofrendo bullying. Pois em Pixels os nerds dos anos 80, campeões de jogos como Pac-Man, Donkey Kong, Space Invaders e Centopeia, entre outros, ganham não um clube, mas um verdadeiro esquadrão.

No longa, Sandler, um dos mais bem pagos atores de Hollywood, é Sam Brenner, um ex-campeão de Pac-Man. Como em um roteiro de sonho dos fãs de games, Brenner (Sandler) e seus outros campeões dos jogos de arcade, são recrutados para salvar a Terra da invasão de personagens de videogames.

Eles foram criados e enviados por alienígenas que querem dominar a terra usando os vilões e heróis dos games como monstros que transformam tudo em pixels. Quem completa o time de ouro dos nerds salvadores são Eddie Plant (Peter Dinklage), o rei do Donkey Kong, Ludlow Lamonsoff (Josh Gad), mestre do Centopeia, além da tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan).

Para os que cresceram na frente do Atari, do Master System e do Super Nintendo e até mesmo do Nintendo 64, Pixels é uma nostálgica e divertida volta ao passado. Que criança ou adolescente nos anos 80 não se imaginou em 3D no mundo de Pac-Man?

Já para os que cresceram com os Nintendo Wii, XBox e smartphones à mão, Pixels é uma ficção científica divertida. “Os heróis desse filme não são atléticos, fortões, são os nerds. Na juventude, eu era um meio termo disso. Um pouco atleta, mas um pouco nerd. Acho que os mais jovens vão gostar do filme também. Este é o tipo de história que leva tanto os pais quanto os filhos aos cinemas. E tem coisa mais bacana do que isso?”, respondeu o ator em conversa com a imprensa brasileira.

Para atrair a criançada, a Sony Pictures Brasil, que lança o filme no País, fez uma parceria com a Turma da Mônica. Em um vídeo gravado com Sandler e a baixinha, o coelhinho Sansão vira um ‘boneco de pixels’ e o ator explica para ela o que está acontecendo. Quando ela pergunta que jogos os alienígenas estão mandando para a Terra, ele responde: “Donkey Long, Pac-Man, Galaga…” Mônica faz cara de paisagem e Sandler diz, conformado: “Você não conhece, mas seu pai, Maurício, deve conhecer”.

No encontro que aconteceu em junho para falar do novo longa dirigido por Chris Columbus (de Harry Potter e Esqueceram de Mim, que também assina o roteiro de clássicos juvenis como Os Goonies e Gremlins), Sandler comentou que é fã de games, mas não fanático. “Eu jogava, é claro, muito mais quando era adolescente. Era bom de Space Invaders e Galaxy, um dos raros em que eu jogava melhor que meus amigos. Também gostava de Asteroids e Pac-Man, mas nunca fui muito”, comentou o ator.

Sandler, que tem 48 anos, conta que incentiva seus filhos a jogar videogame, mas não muito. “Hoje jogo com meus filhos, pois há muito raciocínio, há matemática nos jogos. Mas também faço questão de que eles tenham outras diversões”, revela o ator, para quem o grande problema da relação dos jovens com os jogos hoje não é a violência, mas o exagero.

“Não sou a favor de proibir um garoto de jogar um videogame porque o jogo é de tiros. Um jogo não vai fazer com que as crianças fiquem mais violentas. O que não é bom nem saudável é deixar que eles fiquem o tempo todo fazendo isso, viciados, hipnotizados diante da tela da TV, do computador, ou do celular.”

Para o ator, mais que um filme para fanáticos por games, Pixels é uma aventura. “Mesmo tendo cenas de ação e um quê de violência, é uma comédia, um filme de verão, para ir com a família e comer pipoca e dar risada. Foi muito divertido me imaginar lutando contra o Pac-Man, os Smurfs”, contou ele, que disse ter vontade de filmar um longa no Brasil.

“Não sei se vai ser um americano vivendo no Brasil, mas gostaria muito de receber roteiros”, brincou o ator, que diz que sua relação com os fãs brasileiros é diferente da com os fãs de outros países. “É até engraçado. Às vezes estou levando meus filhos para a escola, atrasado, e um fã me para na rua. E eu digo que gostaria de parar, mas não posso. Em geral, as pessoas entendem. Mas quando é um brasileiro, a pessoa sempre diz: ‘Mas eu sou brasileiro!” Aí, não tem jeito, eu tenho de parar!”, comentou o ator.

Da dir. para a esq., Eddie Plant (Peter Dinklage), o rei do Donkey Kong, Ludlow Lamonsoff (Josh Gad), mestre do Centopeia, Adam Sandler e a tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan).
Da dir. para a esq., Eddie Plant (Peter Dinklage), o rei do Donkey Kong, Ludlow Lamonsoff (Josh Gad), mestre do Centopeia, Adam Sandler e a tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan).

Sandler e os índios norte-americanos

Se a relação com os fãs latino-americanos vai bem, com os atores de etnias nativas norte-americanas nem tanto. Sandler foi alvo de uma grande polêmica em abril envolvendo o roteiro de seu novo filme The Ridiculous Six, uma sátira aos clássicos do Western americano.

O longa, primeira parceria do astro com o Netflix, tinha tudo para ser um sucesso, mas por conta de piadas com os índios da América do Norte, virou polêmica antes mesmo de ser concluído. Durante as filmagens, um grupo de atores nativos, ofendidos com as piadas do roteiro, literalmente abandonaram o set.

“Eu falei com alguns dos atores no set e expliquei que a intenção do filme é de fazer um filme 100% divertido.  É realmente sobre índios americanos sendo bons para o meu personagem e sobre suas famílias e apenas sendo boas pessoas. Não há de forma alguma piadas de gosto duvidoso com os nativos no filme. É um filme ‘pró-índios’. Então, eu espero que, quando as pessoas o assistirem, mesmo as que se ofenderam e deixaram o set, entendam isso. É é isso. Essas piadas foram tiradas de seu contexto”, declarou o ator ao site Screencruch, finalmente falando sobre a polêmica, na pré-estreia de Pixels nos Estados Unidos, no ultimo sábado, dia 20.

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