selomostra39Começa na quarta-feira, 21, com sessão apenas para convidados do novo filme de Hector Babenco, Meu Amigo Hindu, a 39ª edição da Mostra Internacional de Cinema. Até 4 de novembro o cinéfilo poderá fazer a tradicional peregrinação entre os 22 endereços onde o festival acontece, trazendo 311 filmes, de 62 países diferentes.

A programação apresenta filmes consagrados nos mais importantes festivais do calendário de 2015. A delegação formada por quem saiu premiada de Cannes, por exemplo, chega em peso: Dheepan – O Refúgio, de Jacques Audiard (grande vencedor da Palma de Ouro), A Terra e a Sombra (do colombiano Cesar Augusto Acevedo, que levou o Camèra D’Or), A Ovelha Negra (do islandês Grímur Hákonarson, premiado na Un Certain Regard), o húngaro Son of Saul, de Lazlo Nemes (prêmio do Júri e da crítica internacional e já apontado como favorito ao Oscar de filme estrangeiro) e Chronic, do mexicano Michel Franco (melhor roteiro).

Bastante elogiada por lá, ainda que só tenha saído com um prêmio dado à melhor atuação canina (sim, essa categoria existe em Cannes), a trilogia As Mil e Uma Noites também desembarca pela primeira vez em telas brasileiras. O diretor português Miguel Gomes é um dos convidados da Mostra e deve contar como realizou a audaciosa obra, que atualiza livremente o conto de Sherazade para um Portugal às voltas com a crise econômica e social.

São bons nomes para quem começar a montar sua lista, e ainda há ganhadores de Veneza (o venezuelano Desde Allá, de Lorenzo Vigas), Sundance (A Bruxa, de Robert Eggers), além de brasileiros premiados no Rio (como Boi Neon, de Gabriel Mascaro, Mate-Me Por Favor, de Anita Rocha da Silveira e Califórnia, de Marina Person) e Brasília (Para Minha Amada Morta, de Aly Muritiba).

No meio disso tudo, o evento também abre espaço para homenagens importantes aos 100 anos do ator italiano Mario Monicelli, com cinco de seus filmes em cópias restauradas, e ao lendário Zé do Caixão, o personagem de José Mojica Marins.

Martin Scorsese, responsável pelo cartaz desta edição, também é homenageado, com a exibição de 25 títulos de sua Film Foundation, que trabalha pela preservação de pérolas histórias do cinema. Entram nessa clássicos como Rocco e Seus Irmãos, Rashomon, Juventude Transviada, Como Era Verde o Meu Vale, Sindicato dos Ladrões e o brasileiro Limite.

E nem só de sessões nas salas de cinema é feita a Mostra, que nos últimos anos tem escolhido um longa para projeção ao ar livre, na plateia externa do Auditório Ibirapuera, com acompanhamento ao vivo de uma Orquestra. Este ano o eleito foi Meu Único Amor, filme mudo de 1927, dirigido por Sam Taylor e com trilha sonora reproduzida in loco pela Orquestra de Heliópolis, que também é assunto de Tudo Que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado, outro título nacional que integra a programação.

Diariamente, sempre às 18h no anexo do Espaço Itaú Augusta, ocorre ainda uma conversa, aberta ao público e gratuita, com personalidades da Mostra, rebatizada agora como Memórias do Cinema. Passam por lá convidados como Walter Lima Jr., Ney Matogrosso, Cao Hamburger, Joel Pizzini e Lucia Murat.

Parece muita coisa, mas o período intenso reserva muito mais. O TelaTela trará uma cobertura especial com dicas, resenhas e entrevistas para acompanhar a maratona.

Comentários

comentários